“Seguro sustentável: a promoção do agronegócio 4.0”, um artigo de Wady Cury.

Em 2012, na capital fluminense, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNUDS), a Rio+20, foram lançados os Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI – Principles for Sustainable Insurance), um compromisso entre as maiores seguradoras mundiais. O objetivo da empreitada era fornecer ferramentas para a gestão de riscos em apoio à sustentabilidade ambiental, social e econômica do mundo. E as sementes lançadas estão provando que o solo era fértil: seguradoras que trabalham junto ao Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, por exemplo, agem para que a apólice indenize um pequeno agricultor em um país da África, antes que, em caso de chuvas, ele perca sua criação ou sua safra. Já o Programa para o Meio Ambiente das Nações Unidas, financiado pela Global Environment Facility, associou-se a seguradoras com a finalidade de desenvolver derivados da energia eólica no México para proteger uma estação durante períodos de pouco vento. São provas de que a indústria dos seguros já coloca a sustentabilidade no centro do gerenciamento de risco.

Mas, afinal, o que é o seguro sustentável? O seguro sustentável é o seguro concedido de forma responsável, cuja empresa seguradora ou resseguradora lança mão de métodos de governança para oferecer seus préstimos a negócios sustentáveis, considerando critérios ambientais, sociais e de governança (ASG). São as questões ASG que impactam na viabilidade do mercado de seguros nos tempos atuais, tornando-o resiliente e dependente de uma gestão holística para prevenir riscos e tornar os negócios perenes. O seguro sustentável, apoiado no PSI, deve envolver planos efetivos e formulação de estratégias, com a contribuição de entidades privadas, instituições financeiras, governos e organizações internacionais.

E não se trata de uma questão altruísta: o desenvolvimento de seguro sustentável permite que as seguradoras melhorem seu desempenho, ganhem novos clientes e mostrem resultados mais efetivos, o que pode significar gerir o mutualismo por meio de sua própria essência, sem deixa de lado o lucro.

Que o caminho para o seguro é esse, ninguém discute. Mas como fechar essa conta? Como saber se os critérios ASG estão sendo seguidos por quem bate à porta das companhias? Como praticar o seguro sustentável?

As seguradoras que atuam no seguro rural, em particular, já têm a resposta. A tecnologia da informação é a grande aliada e catalizadora das suas políticas que  consigam entender negócios que se estendem por propriedades medidas em milhares de hectares, respaldando um verdadeiro calcanhar de Aquiles das seguradoras, que não podem contar apenas com dados coletados ou auferidos por peritos de campo ou pela coleta de dados dispersos sobre o território.

A necessidade de uma logística de informações organizadas e fiéis sobre as propriedades rurais, que mostrem o avesso do avesso das atividades no campo instigaram a Agrotools, agtech líder global na criação de soluções digitais para o mundo corporativo do agronegócio, a desenvolver ferramentas acessíveis, baseadas em tecnologias proprietárias, desenvolvidas exclusivamente para dar suporte às transações no agronegócio. O membro da Comissão Executiva do Grupo de Pecuária Sustentável e sócio-diretor da Agrotools, Breno Felix, está à frente do desenvolvimento de ferramentas que permitem que grandes empresas compreendam tudo o que acontece com fornecedores e clientes espalhados pelo território rural, cobrindo áreas que, até então, eram praticamente impossíveis de serem monitoradas e gerenciadas. A recente parceria da Agrotools com a Microsoft também vai possibilitar a ampliação da gestão de risco, com iniciativas baseadas em inteligência artificial (AI), exponenciando a aproximação do território rural com o mundo corporativo e fomentando a sustentabilidade do seguro no agro.

E é fácil identificar porque esse tipo de informação é necessária: imagine um perito de uma seguradora cuja incumbência é comensurar as perdas de uma safra de soja, após uma época de estiagem. Que tipo de cálculo ele vai conseguir fazer para estipular esses valores, sendo justo com o segurado e com a seguradora, se não tiver ido a campo munido de informações estratégicas sobre a propriedade, a cultura ali plantada, a técnica utilizada pelo agricultor e o impacto real da falta de chuva naquela região e cultura? Muito provavelmente o cálculo poderá ser impreciso e, portanto, não justo.

O olhar do perito passa longe de ser dispensável, mas esse olhar físico precisa ser acompanhado de todas as possibilidades da tecnologia, capaz de auferir o que está acontecendo no campo, com uma visão de 360 graus, que envolve monitoramento por satélites e a criação de algoritmos, que se transformam no olhar biônico das empresas que se relacionam com o agro, estabelecendo, assim, uma relação ágil e eficaz.

Com as lentes da tecnologia, não há mais cegos e o agronegócio torna-se um segmento promissor para seguradoras e financeiras, elevando nível das relações entre o campo e seus pares pelas vias da sustentabilidade, a única possível para construir o agronegócio 4.0 e consolidar os princípios de sustentabilidade em seguros (PSI).

*Wady Cury foi porta-voz e presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), diretor geral do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre e é o novo head de Seguros da Agrotools.

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