O que é ESG e como ele impacta a agroindústria e o setor rural

Se você ainda não sabe o que é ESG ou tem dúvidas sobre como essa agenda atinge o agronegócio e as empresas que compram, vendem, financiam ou seguram territórios rurais, este conteúdo será muito útil. Continue a leitura!

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em 2020, primeiro ano da pandemia causada pelo coronavírus, o agronegócio foi responsável por mais de 25% de todo o PIB do país, sendo o único segmento da economia a apresentar resultados positivos no período.

Apesar disso, os muitos problemas ambientais que atingem o Brasil nos últimos anos — com desmatamento recorde da floresta amazônica —, e a grave crise climática enfrentada pelo planeta — evidenciada cientificamente pelo último relatório do IPCC —, têm provocado diversas críticas ao modo de atuação do setor. E exigido que todos os players que se relacionem com esse segmento se comprometam com um modo de produção mais sustentável no campo.

Entenda o que é ESG

Sigla para Environment, Social and Governance, ESG é o nome dado a um conjunto de boas práticas que demonstram responsabilidade ambiental, social e administrativa, guiando as empresas para uma nova forma de operar e direcionar investimentos. E as pessoas para um novo modo de consumir.

Com foco na sustentabilidade e no compromisso social, a agenda ESG, exige que as companhias parem de pensar apenas em gerar lucros e passem a se preocupar com o impacto das suas práticas na preservação do planeta e também na qualidade de vida das pessoas.

Como surgiu o ESG

Para entender o que é ESG, vale entender como ele surgiu. Conta-se que o termo nasceu de uma provocação feita por Kofi Annan, ex-secretário da Organização das Nações Unidas, a CEOs de grandes instituições financeiras sobre como integrar questões ambientais, sociais e de governança corporativa no mercado de capitais. 

Como resposta à provocação, em 2004 foi criado o relatório Who Cares Wins (em portugues, Ganha quem se importa), primeiro documento oficial a utilizar a sigla ESG. Ele reunia 20 instituições financeiras, de nove países (incluindo o Brasil), e estabelecia diretrizes socioambientais e administrativas para o mercado financeiro.

Vale considerar, no entanto, que mesmo antes do surgimento da sigla e da sua popularização nos últimos anos, já existia preocupação com as questões que hoje estão embarcadas nessa agenda. 

Por exemplo, o termo SRI (do inglês Socially Responsible Investing) foi usado durante as décadas de 1970 e 1980, quando fundos de investimento passaram a considerar critérios sociais nas decisões para direcionamento de investimentos.

Os fatores ESG

O ESG usa três critérios essenciais de sustentabilidade para analisar uma empresa. São eles:  

Fator ambiental 

Diz respeito a todas as ações de proteção, conservação e restauração do meio ambiente e dos recursos naturais. Com a crise climática enfrentada pelo planeta, os esforços dessa área estão na redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE), com o fim do desmatamento e a adoção de fontes renováveis de energia.

Fator social

Trata do compromisso das empresas com o bem-estar social e da qualidade de suas ações que têm impacto na comunidade em que estão inseridas e na sociedade em geral. Temas como equidade salarial, diversidade no ambiente de trabalho, combate à escravidão e ao trabalho infantil e práticas de cooperação para a erradicação da pobreza estão embarcados aqui. 

Fator de governança

Considera todas as ações de direção das companhias e seu compliance com as legislações e boas práticas de gestão. Isso inclui combate à corrupção, adoção de processos transparentes e correção fiscal. 

Prática ESG X Greenwashing 

Junto com o número de pessoas preocupadas em compreender o que é ESG, cresceu também a necessidade de aumentar a atenção para não fazer e nem ver sua companhia se tornar uma vítima do Greenwashing, prática caracterizada pela falsa adoção de políticas sustentáveis por uma companhia. 

Quem faz Greenwashing adota um discurso diferente de suas ações. Por exemplo, diz ser contra o desmatamento, mas desmata ou se alia a quem tolera o desmatamento em seu processo de produção. Ou se posiciona contra o racismo, mas perpetua esse tipo de preconceito em sua empresa ou aceita parceiros de negócio que adotam comportamentos racistas. 

A contradição entre discurso e prática é totalmente incompatível com os princípios ESG, que em seu pilar de Governança Corporativa prega a total transparência na gestão das organizações.

Veja por que a agenda ESG tem ganhado destaque 

A verdade é que o ESG não é mais apenas uma tendência e, como tem sido dito por grandes nomes do mercado, como a empresária Luiza Helena Trajano, logo não haverá espaço para as companhias que não se adequarem aos critérios dessa agenda. 

E o principal motivo para isso é a expansão da conscientização das pessoas e do mercado sobre a importância da preservação ambiental, das causas sociais e das boas práticas de administração corporativa para a construção de um sistema econômico mais sustentável. 

Essa conscientização tem afetado as empresas, já que estão mudando os hábitos de consumo dos clientes e passaram a ser o grande orientador dos investidores nas tomadas de decisão sobre para onde destinarem seus aportes.

Cada vez mais pessoas têm buscado saber o que é ESG e estudos têm mostrado que é crescente o número de consumidores levam em conta fatores ambientais, sociais e de governança em suas escolhas de compra. 

Um desses estudos, realizado pela agência de pesquisas norte-americana Union + Webster, e divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) apontou que, em 2019:

  • 87% da população brasileira já preferia comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis
  • 70% dos entrevistados não se importava em pagar um pouco mais por isso

E quando o assunto são investimentos sustentáveis, a Bloomberg, em pesquisa recente, estimou que a agenda ESG deve atrair US$53 trilhões até 2025.

Deve-se considerar ainda que a pandemia da Covid-19 e o forte agravamento da crise climática acelerou a urgência da transição para uma economia de baixo carbono, e a adoção dos fatores ESG ajuda a ter esperança em um futuro de prosperidade econômica e regeneração ambiental.  

Veja como o ESG cria oportunidades para a agroindústria e o setor rural

Quando se fala em ESG no agronegócio, a principal razão para o setor mudar sua mentalidade, entender profundamente do que trata essa agenda e investir em se adaptar aos seus critérios são as oportunidades de transformação que ela pode gerar para o segmento.

Para o produtor rural, estabelecer uma cadeia de produção limpa no campo, além de ser benéfico para o planeta, também ajuda a ter acesso a financiamentos, linhas de crédito e outros serviços de mitigação de riscos, como o seguro agropecuário. E a longo prazo, estar em conformidade com os critérios de Environmental, Social and Governance reduz custos e gera valor para o negócio, por melhorar toda a sua gestão.

Já para as empresas que se relacionam com os territórios rurais, entender o significado do ESG para o mercado atual ajuda a mitigar riscos de prejuízos legais, reputacionais e financeiros.

Não se pode deixar de considerar, ainda que, com a crescente demanda de adeptos do consumo consciente, indústrias e empresas comprometidas com o bem-estar social e a proteção do planeta devem ganhar uma importante parcela do mercado, abrir novas oportunidades de negócio e permitir acessar os tão desejados green bonds.

ESG na prática para quem se relaciona com o agro

Nós listamos algumas práticas que ajudam sua empresa a estar em compliance com a agenda ESG:

Em critérios ambientais

  • promova ações de combate à poluição do ar e da água
  • tenha políticas que estimulem a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera 
  • combata o desmatamento não aceitando em sua carteira de clientes ou parceiros quem realiza ou tolera essa prática
  • não compre produtos e nem financie ou segure territórios em Terras Indígenas 
  • adote práticas que reduzam o risco de desaparecimento ou escassez de água e de outros recursos naturais.

Em critérios de responsabilidade social

  • combata a escravidão e o trabalho infantil, não se associando a quem promove ou aceita esse tipo de situação
  • tenha políticas que garantam as melhores condições de trabalho e promovam o bem-estar dos trabalhadores
  • não faça parceria com produtores e empresas que têm dívidas trabalhistas  
  • estimule a diversidade no ambiente de trabalho
  • elimine práticas machistas, racistas e LGTBfobicas
  • adote uma políticas de equidade salarial entre homens e mulheres
  • estimule a inclusão de pessoas com deficiência
  • adote iniciativas que geram benefícios à saúde e à segurança das pessoas
  • invista em ações de combate à fome e à pobreza.

Em critérios de governança corporativa

  • adote práticas anticorrupção
  • garanta a proteção dos dados de parceiros de negócio, colaboradores e clientes
  • tenha processos transparentes de gestão
  • realize auditorias frequentes
  • adote iniciativas que evitem a instabilidade política e os conflitos de interesse.

Entenda como a tecnologia ajuda o agronegócio e os player que se relacionam com ele a se adequarem ao ESG

Não há como fugir: os agentes do agronegócio precisam se adequar aos critérios ESG se não quiserem perder mercado e dinheiro. E para ser bem sucedido nessa missão é indispensável investir em alta tecnologia e inteligência de dados.

Recursos tecnológicos viabilizam análises socioambientais dos territórios de forma ágil e digital, e garantem integridade e confiabilidade na coleta de informações. Assim, ajudam as empresas que se relacionam com o setor rural não apenas a estarem em compliance com os critérios de sustentabilidade ESG, mas também a provarem suas boas práticas, com processos transparentes.

Agora que você sabe melhor o que é ESG, que tal tornar seu negócio sustentável e garantir que ele atenda a essa agenda? Conheça as soluções digitais oferecidas pela Agrotools, a maior agtech da América Latina, e veja como podemos ajudá-lo.

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