Green Bonds: o que são os títulos de crédito voltados para a sustentabilidade

As mudanças climáticas, como o aquecimento global, são enormes motivo de preocupação. De acordo com relatórios internacionais, como do IPCC, será indispensável mudar a dinâmica da nossa economia para evitar maiores problemas no planeta. Nesse sentido, as companhias privadas e entidades públicas estão entendendo a sua importância nesse processo, o que explica a expansão dos Green Bonds.

Conhecidos como Títulos Verdes, esses ativos são novos no mercado (foram criados em 2008), mas têm potencial para revolucionar a relação entre finanças e sustentabilidade. Segundo a Climate Bonds Initiative, eles podem injetar R$700 bilhões na nossa agricultura até 2030, além de auxiliar na adoção das práticas ESG.

Neste artigo, explicamos o que são os Green Bonds e quais são os seus benefícios para aqueles que emitem os títulos. Boa leitura!

O que são Green Bonds?

Os Green Bonds, que no Brasil também são conhecidos como Títulos Verdes, são títulos de dívida emitidos para financiar projetos relacionados à sustentabilidade. Eles podem ser emitidos por companhias privadas, entidades públicas em qualquer esfera ou instituições supranacionais e são oferecidos no mercado financeiro.

Existem diversas categorias de Green Bonds, segundo a B3 (Bolsa de Valores do Brasil). Listamos algumas:

  • energia renovável;
  • prevenção e controle de poluição;
  • transporte limpo;
  • mudanças climáticas;
  • conservação da biodiversidade;
  • entre outros.

O primeiro Green Bond foi emitido em 2008 pelo Banco Mundial, sendo o ponto de partida para esse olhar mais sustentável no mercado financeiro. Desde então, vários títulos foram emitidos, inclusive no Brasil. Em 2019, foram movimentados US$ 1,2 bilhão aqui no país — número seis vezes maior do que no ano anterior.

De fato, os Títulos Verdes estão diretamente relacionados com o crescimento da agenda ESG. Quando um projeto sustentável é colocado em prática, o meio ambiente é beneficiado pelos resultados obtidos, mas a empresa também colhe frutos positivos com o desenvolvimento da sua reputação entre os consumidores.

Como funcionam os títulos verdes?

Os Títulos Verdes funcionam de forma similar aos papéis de renda fixa. Quando o investidor compra um papel, ele passa a ter o direito de receber juros pelo capital aplicado e, na data acordada, o reembolso do valor total. A forma de pagamento dos juros é combinada no momento da negociação.

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Os títulos podem ser pré-fixados, quando a taxa de retorno é fechada e definida no ato da compra, ou pós-fixada, quando seguem algum indicador, como a inflação (IPCA no Brasil). A grande diferença dos títulos verdes é que eles devem ser direcionados para projetos sustentáveis.

Por outro lado, eles seguem as mesmas regras, como divulgar suas informações financeiras para as partes interessadas. Para criar um título verde, é necessário seguir alguns passos, que incluem: criar o projeto, fazer o registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ter os dados aprovados, ser listado na Bolsa de Valores e continuar cumprindo com as regulações depois da captação.

Para os emissores, os títulos verdes são uma forma de levantar dinheiro sem a necessidade de pegar empréstimo com instituições financeiras. Além disso, esse é um mercado que está em alta no mundo: em 2020, foram emitidos US$ 700 bilhões em títulos socioambientais segundo o CBI, uma alta de 131% em comparação a 2019. 

Quais os benefícios dos Green Bonds para seus emissores?

Apesar de, na prática, os Green Bonds serem parecidos com qualquer título de dívida, eles trazem benefícios adicionais para seus emissores. O principal é a diversificação de investidores, porque há um crescimento no número de pessoas dispostas a aplicar recursos nesse tipo de projeto.

Um estudo da Oxford, publicado em 2015, avaliou centenas de levantamentos relacionados ao tema e trouxe informações importantes. Uma das conclusões é que 88% deles mostraram que as boas práticas de ESG resultam em melhor desempenho operacional, ou seja, há uma relação positiva entre sustentabilidade e resultados financeiros.

Além disso, a emissão de Títulos Verdes também é uma estratégia para se aproximar dos grandes investidores e aumentar a consciência do mercado sobre as ações da companhia ou entidade em prol do meio ambiente. Quando mais pessoas são impactadas, surgem novas fontes de captação de recursos.

Por fim, a questão climática é uma urgência. O relatório do IPCC, divulgado em agosto, alertou para a necessidade de diminuir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a transição para uma economia de baixo carbono. Os Green Bonds poderão ter uma participação fundamental nessa equação, porque seus emissores devem gerar impacto positivo no meio ambiente.

O crescimento dos Green Bonds é positivo no longo prazo, porque os projetos sustentáveis são importantes para o planeta e geram bons resultados para as companhias que emitem os títulos. Com isso, setores como o agronegócio têm acesso a novos recursos e podem avançar com a pauta ESG, trazendo um impacto positivo para todos os envolvidos.
E aí, ficou claro o que são os Green Bonds? Leia também esse artigo para entender os principais desafios e oportunidades das mudanças climáticas para as empresas!

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