Inovação tecnológica a serviço da responsabilidade socioambiental

Indígenas receberam treinamento para operar drones. Diversos crimes já foram flagrados e combatidos. Foto: Marizilda Cruppe/WWF/Divulgação

Enquanto você lê esse texto (considerando que seja dia), tem algum indígena brasileiro operando um drone em busca de pontos de desmatamento e queimadas. Já são 18 equipamentos sobrevoando áreas remotas, doados pela ONG WWF para tribos e órgãos de fiscalização, em 5 estados na Amazônia, e em Goiás, no Cerrado.

O projeto começou em 2019. Em um dos monitoramentos, na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, os indígenas ouviram barulhos de trator. Imediatamente, decolaram o drone e encontraram um acampamento e uma área desmatada no entorno dele. 

Avançaram com o drone cerca de dois quilômetros, e nesse raio, flagraram mais três pontos desmatados. Seguiram com o sobrevoo e, no total, descobriram 18 focos de desmatamento. 

Em outra operação, os indígenas fizeram um monitoramento de quatro dias e encontraram um invasor, a oito quilômetros da aldeia. Ele estava sozinho em um acampamento e tinha armas, uma motocicleta e uma motosserra. A polícia foi acionada e o homem foi preso.

O Brasil possui 725 terras indígenas, que correspondem a cerca de 13% do território nacional. A proteção desses territórios é garantia de floresta em pé: nas últimas 4 décadas, apenas 2% das terras indígenas brasileiras perderam suas florestas originais, aponta a WWF. 

Big data para preservação e conservação 

Além de drones, muitas outras tecnologias potencializam o monitoramento de regiões, fauna, flora e povos ameaçados. Entre elas, estão desde as chamadas armadilhas fotográficas – câmeras acionadas por sensor de movimento ou infravermelho -, até satélites de alto alcance e precisão a serviço de basemaps que abastecem softwares públicos e privados.

Com isso, se constróem bancos de dados cada vez mais robustos, fundamentais para monitorar e verificar o comprometimento de empresas e governos com ações socioambientais.

Na esfera governamental, um dos exemplos é o Centro de Monitoramento Remoto, plataforma criada pela Funai, em funcionamento desde 2015. Consiste em um banco de dados alimentado por imagens de satélites, com alcance que chega a 30 metros da superfície da Terra. Os registros são cíclicos, renovados em cada área a cada 15 dias.

A ferramenta faz o acompanhamento diário de focos de desmatamento, degradação, mudança de uso e de ocupação do solo. E “permite visualizar territórios de forma rápida e fácil, viabilizando os nomes oficiais das terras indígenas, seus limites físicos, os biomas aos quais se circunscrevem”, explica o site do CMR.

Plataforma digital da Funai mapeia centenas de áreas diariamente.
Foto: Marizilda Cruppe/WWF/Divulgação

Inovação em tempos de crise energética

Iniciativa da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com Petrobras, Furnas e outras empresas, trouxe ao Brasil o programa de aceleração de regiões empreendedoras do Instituto de Tecnologia de Massachussets. O MIT REAP (Regional Entrepreneurship Acceleration Program) impulsiona ideias e negócios em diferentes partes do mundo. O conceito é transformá-las em “Vales do Silício” relacionadas a algum setor.

No Brasil, será o “Vale do Silício da energia”, no Rio de Janeiro. Aprovado no ano passado, o projeto brasileiro mira no desenvolvimento de empreendedores e startups que apresentem soluções em energia e sustentabilidade. Uma demanda cada vez maior e mais urgente, no contexto da crise de energia que o país enfrenta, e também da exigência global por energias limpas, alinhada com critérios ESG. 

O mundo está vivendo uma transição energética movida pela busca de uma economia de baixo carbono. E a previsão dos especialistas é que nas próximas duas décadas, isso revolucione o setor de energia. 

A estratégia é posicionar o Brasil como protagonista nesse contexto, com tecnologias para energia limpa a serem exportadas e adotadas globalmente.

O MIT REAP RIO está agora na fase de estruturação das ações estratégicas e acabou de lançar o Energinn, programa de formação de empreendedores, criação de startups e geração de provas de conceito, ou seja, validações de ideias ou de soluções já existentes que podem ser aprimoradas e escaladas.

“O Energinn já nasce como o maior programa de formação de provas de conceito em empreendedorismo na área de energia e sustentabilidade do mundo, em função da escala que nosso país proporciona. A expectativa é formar mais de 300 empreendedores e gerar mais de 60 provas de conceito em energia e sustentabilidade em 3 anos”, destaca Hudson Mendonça, líder do MIT REAP RIO. Hudson é pesquisador do LabrInTOS, laboratório de inovação tecnológica do Programa de Engenharia de Produção da Coppe/UFRJ. Já atuou como subsecretário do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, e superintendente da Finep. Pedimos a ele para destacar algumas inovações que representam mudanças significativas no âmbito socioambiental:

  • Iluminação em LED;
  • Plataformas de tratamento e destinação de resíduos, que digitalizam o processo e possibilitam a criação, por exemplo, de créditos de reciclagem para que empresas mitiguem impactos socioambientalmente;
  • Biomassa, com uso, por exemplo, de bagaço e palha de cana para produção de pellets, o “carvão verde;
  • Biogás produzido a partir dos rejeitos da pecuária, que, além de fonte de energia, reduz as emissões de metano;
  • Fusão nuclear, “com perspectivas enormes, e testes bem avançados na Alemanha, promete energia quase infinita”, explica Hudson;
  • Aerogeradores/energia eólica;
  • Turbinas eólicas para geração de energia em pequena escala, em sistema off-grid (não conectado à rede elétrica);
  • Motores elétricos e veículos autônomos voadores.
Foto: The Archimedes/Divulgação

O pesquisador destacou as turbinas da empresa holandesa Archimedes, que se inspirou nos tradicionais moinhos de vento do país para criar a tecnologia. “Foram desenvolvidas para uso residencial, são silenciosas e eficientes”, conta Hudson.

Em relação aos motores elétricos, Hudson destaca os equipamentos eVTOL (Electric Vertical Takeoff and Landing), com tecnologia de decolagem e aterrissagem elétrica vertical. Eles são uma grande promessa para resolver a questão da mobilidade urbana e, claro, da poluição dos combustíveis fósseis resultante do transporte tradicional. 

O modelo da foto abaixo é da empresa Joby, dos Estados Unidos. Já passou por mais de mil voos de testes junto à Força Aérea norte-americana. E deve começar a transportar passageiros em 2024, começando por Los Angeles. Nele, cabem 4 passageiros, além do piloto.

Foto: Joby/Divulgação

O Brasil também está nessa corrida, através da Embraer, em parceria com empresas de outros países. Boeing e Airbus também trabalham nos seus modelos de eVTOL. “Vai ser uma revolução nos transportes, com consequências diretas na geração energética”, conclui Hudson.

Tecnologias para rastreio da responsabilidade socioambiental

A brasileira FS Energia precisava monitorar toda a cadeia produtiva, para mapear processos, mensurar eficiência, impactos e resultados, e tornar a responsabilidade social e ambiental verificável. A empresa produz etanol, bioenergia e ingredientes para nutrição animal totalmente a partir do milho.

A solução escolhida pela FS foi a Safe, da Agrotools. Com ela, a companhia atingiu a conformidade socioambiental da produção. Além disso, a ferramenta digital valida os fornecedores de acordo com dados de cadastro e georreferenciamento de território. E monitora se cumprem com as regulamentações de mercado. Em resumo, a tecnologia de tratamento de dados em larga escala, com precisão e velocidade, garantiu a transparência da responsabilidade socioambiental corporativa.

Responsabilidade socioambiental no agronegócio

Cada vez mais, o setor agropecuário busca alinhamento com práticas ESG, a fim de responder às demandas internacionais por responsabilidades social e ambiental, vindas de todos os lados – consumo, investimento, financiamento, regulações governamentais e privadas.

Uma ferramenta atualmente muito procurada por empresas de diversos setores é a Análise Socioambiental, que elimina a burocracia e a complexidade de análises de critérios ambientais, com informações amplas e precisas sobre áreas desmatadas ou embargadas, terras indígenas, unidades de conservação, e outros indicadores. A ferramenta digital também faz o monitoramento do destino de recursos de financiamento, ou de áreas e produções seguradas. Além disso, garante o compliance com as regras nacionais e internacionais, e padrões ESG.

Estudo de caso realizado pela Stanford Business dá destaque para outra solução da Agrotools usada para monitorar aspectos de responsabilidade socioambiental. Foi adotada em uma iniciativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), para solucionar uma crise que o setor vivia.

Muitos criadores de gado brasileiros precisavam regularizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR), um processo caro e burocrático. Mesmo depois de realizado, alguns produtores continuavam sendo multados por desconformidades. Indústrias beneficiadoras de carne não podiam, por regulamentações nacionais e internacionais, comprar gado criado em uma propriedade sem CAR regularizado.

O ápice do imbróglio foi em 2010, com o fechamento de fábricas, protestos de pecuaristas, e queda do preço da carne. A Abiec entrou em cena nas negociações entre produtores, indústria e o Ministério Público Federal. Conseguiu transformar o CAR em um documento autodeclaratório, a ser verificado posteriormente pelos órgãos competentes. Multas foram canceladas, beneficiadores ajudaram os produtores rurais a completar o CAR, e o que se viu foi um aumento significativo nos cadastros. 

Além disso, a Abiec investiu em tecnologias para mapear desmatamentos e passou a usar um sistema de monitoramento geográfico da Agrotools, que acabou sendo adotado também por grandes frigoríficos.

“A tecnologia estava desempenhando um papel cada vez mais importante no monitoramento dos esforços. Muitas marcas e processadores de carne começaram a usar produtos customizados da empresa brasileira AgroTools, que fornecia informações detalhadas de segurança de produtos e monitoramento de desmatamento de territórios. A empresa contou com McDonald’s, Walmart, JBS, BRF e Marfrig entre seus clientes”, destacou o artigo de Stanford.

Independente da esfera – pública ou privada -, do tipo e do tamanho do negócio, a responsabilidade socioambiental virou peça-chave. Seja para garantir a proteção de áreas ou o escoamento de um produto, ela precisa ser sólida, mensurada e verificável. 

Governos e empresas não conseguem mais sustentar um selo sustentável com ações socioambientais periféricas ou protocolares. E precisam se apoiar em tecnologias para alcançar resultados satisfatórios.    Que tal conhecer API’s e ferramentas prontas digitais para uso já disponíveis no marketplace da Agrotools?

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