Empresas ESG: traduzindo valores em soluções

Conheça empresas com selo ESG e as práticas sustentáveis que desenvolvem, com resultados tangíveis e resposta consistente aos critérios ambientais, sociais e de governança.

Uma ação social para gerar trabalho e renda a mulheres da periferia virou um braço estratégico de vendas. Foi em uma multinacional. Em uma das capitais com maior desigualdade social do Brasil. Isso aconteceu – e deu tão certo que segue rodando há anos e foi levado para outras cidades do país.

A história é da Danone e vamos contá-la em detalhes aqui, junto a outros exemplos de sucesso que não apenas se enquadraram de forma coerente como práticas ESG, mas também comprovaram que sustentabilidade pode estar atrelada à rentabilidade.

Conceito ESG

Há quem esteja até com uma certa estafa da sigla. Mas quem já entendeu como o ESG se torna tangível para um fluxo de caixa positivo, busca a linha do aprofundamento, para alcançar mais robustez e destaque nesse caminho sem volta.

E é com esse intuito que selecionamos aqui cases de sucesso em práticas ESG, avaliados como tal por diversas esferas que garimpamos — especialistas na temática, grandes empresários e fundos de investimento.

ESG nas empresas

A tríade Ambiente, Social e Governança, abreviada globalmente no termo ESG (iniciais em inglês para Environmental, Social & Governance), toma conta da agenda política e econômica. Não tem para onde correr. E ninguém que esteja atento, conectado com o momento atual, e com o intuito de deixar um legado, quer efetivamente correr. 

Afinal, práticas sustentáveis dizem respeito à busca efetiva por um “mundo melhor” – esse clichê romantizado que até pouco tempo atrás era endereçado a alguns nichos ativistas ou a sonhadores. Hoje, ele está na carteira dos investidores, na caneta dos CFOs, nos financiamentos, nos contratos do poder público com a iniciativa privada, na decisão de compra dos cidadãos.

Pesquisa da IBM mostrou que um terço dos consumidores deixou de comprar marcas que consideravam favoritas de longa data em 2019 por questões relacionadas à confiança, transparência e sustentabilidade.

E mais: 79% dos entrevistados afirmaram considerar importante que as marcas tenham certificações. E, nesse grupo, 71% pagariam, em média, 37% a mais para produtos que tenham total transparência.

Entre os investidores, empresas com selo ESG viraram praticamente um mantra, com destaque para os players de grande porte, como a gestora global de investimentos BlackRock e fundos multimercados, que passaram a balizar seus aportes não apenas pela tríade risco, liquidez e rentabilidade, mas também por critérios ESG.

Case 1: Nvidia

Entre as empresas no topo da lista dos investimentos balizados por ESG, de acordo com analistas de mercado, está a Nvidia Corporation. A multinacional sediada na Califórnia (EUA) fabrica chips. Simples assim – e complexo também. Tem na mão um dos insumos mais importantes e concorridos do mundo, hoje protagonista de uma crise mundial.

Mas não é só pela venda de um produto com alta demanda que a Nvidia escala o valuation. A companhia implementou diversas ações e programas que atravessam, de forma robusta, os três critérios ESG.

Ambiental

A Nvidia aprimorou os GPUs, que são um tipo de microprocessador, a fim de garantir um ganho de 30% em eficiência energética para centros de processamento de dados.

Outras práticas em sustentabilidade ambiental consistem no rastreio dos minerais utilizados na fabricação dos chips. Ouro, tântalo, tungstênio e estanho são alguns dos insumos usados pela Nvidia. E a empresa se empenha na certificação de origem responsável, fora de zonas de conflito.

Social

O setor de tecnologia é um dos mais afetados pela falta de diversidade. Atenta a isso, a Nvidia desenvolve, há anos, um programa de recrutamento e paridade salarial. Trabalha com a Society of Women Engineers para garantir maior proporção de mulheres em todas as áreas da empresa. E dedica esforços à contratação de desenvolvedores negros, alimentando parcerias com faculdades americanas que têm majoritariamente estudantes negros. 

Além disso, a empresa valida as iniciativas, com o CEO tomando a frente, através de reuniões com funcionários de grupos minoritários para entender como veem o ambiente de trabalho na Nvidia e como aprimorar a inclusão e a diversidade.

Na pandemia, a Nvidia doou 430 mil dólares à Universidade de Wuhan, para o desenvolvimento da vacina contra o coronavírus. E doou licenças de tecnologia para contribuir com as pesquisas.

Governança

De acordo com a MSCI, empresa global responsável por diversos índices e ferramentas de análise de ações e ativos ESG, a Nvidia desponta em capital humano. Estimula as equipes com cursos profissionalizantes, reembolso de mensalidades, plano de carreira, e até a estruturação de uma carteira de investimentos para os funcionários.

Supervisão do conselho, transparência e retornos

Todas essas iniciativas ganham ainda mais destaque no mercado pelo fato de partirem ou serem supervisionadas por um comitê criado dentro do conselho da companhia, o que é – ainda – raridade, conforme apontou o especialista em investimentos sustentáveis Moin Syed, que foi gerente de pesquisas em ESG da Sustainalytics, empresa holandesa que trabalha com análises e classificações da sustentabilidade das companhias listadas em bolsa.

E a transparência vem para coroar toda essa estrutura robusta em ESG da Nvidia. Como, por exemplo, no seu relatório anual de responsabilidade social corporativa.

banner ESG

Com tudo isso, a Nvidia acumula inúmeros retornos, inclusive financeiros. Com funcionários valorizados, reduz o turnover e consegue mais competitividade em um mercado de trabalho concorrido por profissionais qualificados.

Nos mercado de ações, empresas bem classificadas em ESG correm menos risco de acumular perdas econômicas, aos comprovarem padrões sustentáveis elevados.

Case 2: Danone

“A Danone me fez perceber que é possível transformar sustentabilidade em negócio. Todos os projetos que tínhamos lá tinham que ter algum tipo de correlação com o negócio”, conta Pedro Vasconcellos, ex-gerente de sustentabilidade da Danone no Brasil. Trabalhou na multinacional por seis anos. Hoje, ele é gestor de projetos de impacto positivo e transformação na Nhood, empresa portuguesa de serviços imobiliários presente em 10 países na Europa. Pertence ao grupo familiar francês FM, dono de grandes empresas como Leroy Merlin e Decathlon.

“Ainda hoje, muitas empresas entendem que trabalhar com sustentabilidade é fazer uma doação ou investir em algum projeto que está muito distante da atividade comercial daquela empresa. E na Danone, não é assim. Todos os projetos e investimentos em sustentabilidade têm algum tipo de relação com negócio”, explica Pedro.

Um dos projetos de sucesso que ele carrega no currículo dentro da Danone é exemplo disso. Em 2012, a empresa decidiu impactar o contexto da mulher de baixa renda desempregada. Criou uma dinâmica de venda porta a porta de iogurtes, que não é canal clássico da Danone, em favelas de Salvador.

A iniciativa levou o nome de “Kiteiras”. “A gente fazia kits, não era o produto único como a gente encontra no supermercado. Eram kits com vários produtos que as kiteiras vendiam na vizinhança. Desenvolvemos um canal comercial e estimulamos uma atividade àquelas mulheres como empreendedoras”, explica Pedro. Ele estava no início da carreira, recém-formado em Engenharia Ambiental. “Foi muito interessante vivenciar a dimensão impacto”. Não apenas financeiro, mas cultural. “Para você ter uma ideia, muitos maridos ficaram aflitos de ver as mulheres ganhando poder financeiro dentro da família”, relata.

E deu tão certo que o canal porta a porta através dessas mulheres chegou a representar 15% de todas as vendas da Danone na capital baiana. “Passamos a atender um público que não comprava iogurte no supermercado. O projeto trouxe essa mudança por mais saudabilidade na decisão de compra, ao sugerir que o consumidor que, em geral, não compra o produto, passe a optar por ele em vez de um snack, por exemplo”.

Boa prática social com retorno financeiro

Pedro Vasconcellos conta que, quando fez o pedido de investimento no comitê da companhia, na Franca, que aprovava os aportes na área de sustentabilidade, precisou mostrar a relação do projeto com o negócio, e como ele ia se desenvolver. Havia verba para destinar à iniciativa por alguns anos, para desenvolvimento. Mas com o passar do tempo, ela precisava se pagar. Receberia menos recursos da empresa e deveria se autossustentar.

E eis que o projeto Kiteiras atingiu a sustentabilidade financeira e a rentabilidade garantiu uma retroalimentação. “Não foi uma doação, por exemplo, para um grupo, o que fica muito suscetível a um momento de corte de gastos nas empresas, quando doações acabam sendo suspensas. Se você investe em algo que está ligado à atividade-fim, isso acaba sempre crescendo”, completa Pedro.

Outros cases de sucesso

O artigo How to talk to your CFO about sustainability, publicado pela Harvard Business Review no início deste ano, cita o caso de uma concessionária no Canadá que considerava reduzir o uso de energia a carvão antes mesmo do prazo estipulado pelo governo canadense, o ano de 2030.

A CSO (Chief Sustainability Officer) pediu aos autores do artigos, que são especialistas em estratégias ESG, para trabalhar com ela e o CFO em uma análise ROSI. Assim que a equipe a divulgou, em junho de 2019, as ações da empresa subiram. E ao longo do segundo semestre daquele ano, aumentaram em uma velocidade 50% mais rápida em relação à taxa de crescimento do índice Dow Jones Utility (que segue o desempenho de 15 empresas que atuam com serviços públicos nos Estados Unidos).

A rentabilidade colhida pela empresa, em patrimônio e redução de custo da dívida, totalizou 3 milhões de dólares canadenses ao ano. Além disso, a queda nas emissões de gases de efeito estufa, estimada em 20%, chegou a 33%. Outro benefício foi a diminuição de riscos regulatórios associados à energia a carvão.

Também ganha destaque no mundo corporativo um projeto referenciado pela McKinsey realizado pela Neste, refinaria de petróleo da Finlândia. A companhia existe há mais de 70 anos e, com práticas ESG, passou a gerar mais de 2/3 dos lucros a partir de energias renováveis e produtos relacionados à sustentabilidade.

Outro estudo publicado pela Harvard Business Review compila alguns exemplos de grandes empresas globais que tangibilizam o conceito ESG — de empreitadas ambientais até posicionamentos corporativos sobre políticas econômicas de interesse público:

  • Amazon se comprometeu com a neutralidade de carbono até 2040;
  • Ikea prometeu aportar mais 200 milhões de euros aos investimentos para neutralizar carbono até 2030;
  • Heidelberg, fabricante alemã de cimento, anunciou que um cimento carbono zero vai estar no mercado até 2050.
  • Kellogg prometeu melhorar a vida de 3 bilhões de pessoas através de esforços em alimentação e nutrição, e doações para alimentar 375 milhões de pessoas.
  • Microsoft, Apple, Google e Salesforce assumiram o compromisso de dedicar bilhões de dólares para ajudar com a crise habitacional norte-americana.
  • Walmart, através do CEO, se manifestou de forma contundente pelo aumento do salário mínimo nos Estados Unidos .
  • Cerca de 200 CEOs entraram no debate público sobre o aborto, declarando que restrições impactam negócios de forma negativa.
  • Gigantes de fast food passaram a focar em cardápios mais saudáveis e também em hambúrgueres vegetarianos. Inclusive, foi manchete recentemente o novo hambúrguer vegano do McDonald’s.

A pesquisa The Comprehensive Business Case for Sustainability destaca Mars, Unilever e Nespresso pelo investimento que fizeram para obter o selo Rainforest Alliance, com o objetivo de atacar os riscos na cadeia de abastecimento. O projeto desenvolvido foi junto a agricultores, para lidar com a vulnerabilidade da produção agrícola em relação ao clima, reduzir a degradação do solo e aumentar a resistência às secas.

Conforme um relatório do COSA (Comitê de Avaliação de Sustentabilidade), as práticas ambientais desenvolvidas pela Rainforest Alliance geram mais produtividade e maior lucro líquido, como no caso de produtores de cacau certificados pela Cote d’Ivoire, que produzem 1.270 libras de cacau por hectare, enquanto fazendas não certificadas produzem 736 libras por hectare. O impacto positivo também acontece na receita líquida por hectare: nas propriedades rurais certificadas, é de 403 dólares; nas não certificadas, 113 dólares.

Tecnologias a serviço do ESG

Apesar de ser ainda desafiador atingir consistência em práticas ESG, fica cada vez mais claro o caminho. Seja a partir de exemplos bem sucedidos como os que apresentamos aqui, seja por novas tecnologias que surgem e se aprimoram, para atender à demanda por uma estratégia ESG mensurável e verificável.

Muitas ferramentas qualificadas já estão à disposição no mercado brasileiro, com alta capacidade de coleta, modelagem e predição de dados. Isso garante o monitoramento de territórios e supply chain, a fim de responder aos olhares atentos dos consumidores, gestores, investidores e governos.   

Nesse contexto, a Agrotools oferece APIs como a consulta do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que fornece informações relevantes para análises de crédito e seguro agrícolas. Entre elas, estão as diretrizes ambientais e sociais do Ministério Público Federal (MPF) que regram pecuária e agricultura, especialmente na Amazônia.

Também disponibilizamos ferramentas de análises individuais, como a Socioambiental, que garante o compliance com regulamentações nacionais e internacionais sobre práticas ambientais e sociais. A tecnologia cruza as informações dos territórios e do produtor rural com dados sobre áreas desmatadas, terras indígenas, zonas embargadas, unidades conservação e outros quesitos. Conheça todo o portfólio de soluções Agrotools e veja quais atendem melhor à demanda da sua empresa, falando agora com um especialista (O chat online está disponível de segunda a sexta, das 09h00 às 18h00).  

BRAND

Compartilhar este post

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Anterior
Próximo

Mais para explorar