Economia de baixo carbono: por que ser uma empresa Net Zero?

Você já ouviu falar em economia de baixo carbono? Esse conceito surgiu nos últimos anos e tem relação direta com a agenda ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança), principalmente no impacto gerado pelas empresas ao meio ambiente.

A emissão desenfreada de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera nas últimas décadas contribui para agravar o aquecimento global e está gerando relevantes mudanças climáticas no planeta. O alerta foi acionado e as companhias passaram a enxergar a sua participação nessa equação.

Dessa forma, uma das metas principais assumidas pelas companhias nas próximas décadas é se tornar Net Zero, ou seja, reduzir as emissões onde é possível e onde não for, compensar de alguma outra forma: compra créditos de carbono ou recuperação florestas, por exemplo. Essa atuação mais sustentável reorganiza desde a sua atividade principal até demais os componentes que estão inseridos na realidade do seu negócio.

Neste texto, você conhecerá mais sobre esse tipo de economia e também o papel das organizações na busca por um crescimento responsável. Boa leitura!

O que é uma economia de baixo carbono?

A economia de baixo carbono é um sistema econômico que busca ter o menor impacto possível no meio ambiente, reduzindo ou eliminando a emissão de gases de efeito estufa. O seu conceito está diretamente envolvido com o tema ESG e todos os esforços para combater as mudanças climáticas.

Ou seja, o objetivo é manter a curva de crescimento do planeta, com geração de empregos e renda para a população, mas sem exploração desenfreada do meio ambiente e seus recursos, que são limitados . Assim, o foco da economia de baixo carbono é a transformação dos processos produtivos, com aumento de eficiência e uso racional dos recursos disponíveis.

A partir da Revolução Industrial, o ser humano vem  aumentando a emissão de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono e metano. A quantidade excessiva, de forma não natural — como por exemplo na queima de combustíveis fósseis — acelerou muito o processo de aquecimento global. Nos últimos anos, mudar a lógica para o crescimento sustentável se transformou em uma pauta urgente.

O Acordo de Paris, firmado em 2015 por quase 200 países, definiu o objetivo de limitar o aumento da temperatura global — em relação aos níveis pré-industriais em até 2ºC —, idealmente até 1,5ºC. Nesse sentido, as empresas são fundamentais no processo, pois aderir à economia de baixo carbono será uma necessidade não somente para alcançar esse resultado, mas para a sobrevivência do negócio.

Quais são os princípios dessa economia?

Existem princípios que norteiam a implementação de uma economia de baixo carbono. Todos envolvem mudanças estruturais nas companhias, mas que são necessárias para acompanhar a nova realidade dos mercados. Confira alguns conceitos principais!

Economia circular

A economia circular é a criação de um ciclo produtivo em que os resíduos retornam para a cadeia e são reaproveitados. Ao contrário da economia linear, em que um produto tem um “fim” e é descartado, aqui eles entram novamente no processo produtivo e servem como insumo para a produção de novas mercadorias.

Por exemplo, um eletrodoméstico com tecnologia defasada não precisa ir para um aterro sanitário, mas sim pode servir como matéria-prima secundária para a criação de outros eletrônicos. Essa lógica evita o acúmulo de resíduos na natureza e também o esgotamento dos recursos naturais.

Nesse ciclo, as empresas podem faturar com uma produção mais sustentável, eficiente e sem desperdícios. Para o planeta, o reaproveitamento de materiais e energia diminui a emissão dos gases de efeito estufa, uma vez que novos recursos (naturais ou não) e matérias-primas são menos explorados e utilizados. Ou seja, é uma equação ideal para todos os envolvidos.

Energias renováveis

O uso de energias limpas e renováveis é uma ação efetiva para estabilizar as emissões de GEE na atmosfera e combater o aquecimento global. As energias solar e eólica estão em crescimento no Brasil e no mundo e, uma vez que apresentam um potencial enorme de geração de energia, o que traz benefícios para as empresas e o planeta.

Além delas, também se destacam as bioenergias, como o etanol e o biodiesel, que são geradas a partir de biomassas, como a cana-de-açúcar, soja e milho. 

Portanto, a mudança na matriz energética para fontes renováveis ajuda na neutralização das emissões e ainda pode ser uma vantagem competitiva para as empresas. Iniciativas nessa direção, como o Renovabio — programa da ANP para biocombustíveis no país — merecem ser destacadas.

Preservação, reflorestamento e sequestro de carbono

O meio ambiente faz o processo natural de remoção do gás carbônico da natureza e conversão em outros produtos, mas com o avanço do desmatamento e das queimadas, os níveis não param de crescer. Nesse contexto, uma das formas de diminuir as emissões é aumentar as áreas de floresta, recuperar solos e áreas com pastagens degradadas, bem como realizar um bom manejo do solo e de áreas produtivas.

Outra prática comum para alcançar o equilíbrio na emissão e sequestro de GEE é o reflorestamento, já que parte do carbono é absorvido pela vegetação na forma de dióxido de carbono e não fica na atmosfera.

Tanto empresas como os produtores rurais estão engajados no aumento da área verde do país, com a plantio de espécies nativas, recuperação de áreas e pastagens degradadas, compensação de áreas com passivos, adoção de Unidades de Conservação, entre outrase outras iniciativas classificadas como “verdes”, mas é importante medir se elas são suficientes para compensar as emissões realizadas — principalmente nas indústrias pesadas.

Créditos de carbono e Green Bonds

Uma forma que vem se popularizando a fim de buscar a neutralização das emissões de carbono é a compra de créditos de carbono. O funcionamento é simples: as companhias que comprovadamente são mais sustentáveis de acordo com Políticas e Procedimentos pré estabelecidos e que contribuem para a diminuição do desmatamento, por exemplo, geram créditos e vendem para aquelas que têm emissões positivas de carbono.

Além disso, os Green Bonds (“títulos verdes”) estão em alta no mercado. Eles são títulos de dívida, com metas e ações alinhadas com a agenda ESG, entre elas a de reduzir/evitar as emissões dos gases de efeito estufa. Desde a emissão inaugural no país em 2015, o mercado cresceu de USD 564 milhões para USD 9 bilhões, o que faz do Brasil o maior mercado de títulos verdes da América Latina.

Os títulos e empréstimos verdes, combinados com outros instrumentos de dívida sustentável, desempenharão um papel vital na transferência de capital para ativos, atividades e projetos relacionados ao uso da terra e à agricultura sustentáveis.

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A premissa básica é que, com essa capitalização, as corporações levantam os recursos necessários para atingir esses resultados e causar um impacto positivo no planeta. As metas não envolvem apenas o meio ambiente (o “E” na sigla), mas também a redução da desigualdade de gênero e raça em cargos de  diretoria e conselho, por exemplo, bem como geração de maior transparência das ações e políticas através da publicação de relatórios anuais de sustentabilidade..

O que significa ser Net Zero?

Atualmente, há um movimento de empresas com projetos para serem Net Zero, que são “neutras em carbono” , ou seja, equilibram suas emissões com a quantidade capturada da atmosfera, sem causar novos danos ao meio ambiente. Para isso, mudanças estruturais nas cadeias produtivas precisam ser realizadas, com foco principal na diminuição dessas emissões no curto e médio prazo.

Basicamente, as companhias realizam duas iniciativas em paralelo. A primeira é trabalhar para diminuir efetivamente a emissão desses gases, em um esforço de descarbonização, com a utilização dos princípios citados anteriormente, como a utilização de energias renováveis e reaproveitamento de resíduos).

A segunda iniciativa trata da  compensação das emissões ainda existentes, seja porque o plano de diminuição ainda está em vigor ou porque alguns tipos de indústrias não conseguem realmente zerá-las. Aqui entram as ações de sequestro de carbono e a geração de créditos de carbono.

Nos últimos anos, grandes corporações mundiais firmaram o compromisso de se tornarem Net Zero em um futuro próximo. Além da melhora na percepção da marca para os clientes, há também o impacto dessas mudanças climáticas no planeta, que comprometem a continuidade de várias atividades e mercados.

Por que as empresas buscam esse título?

A pauta climática é uma urgência no século XXI e as empresas que não estão engajadas sofrem com arranhões na sua imagem. Implementar uma agenda real de ESG e ser uma Net Zero pode revolucionar completamente o negócio.

Nesse sentido, alguns motivos explicam essas ações. O principal deles é o desenvolvimento de uma maior consciência socioambiental dos consumidores, que não mais aceitam compactuar com práticas que prejudicam o planeta. Ou seja, não mudar o comportamento impacta diretamente no futuro da companhia.

Outro ponto é que, atualmente, as empresas enxergam a sua responsabilidade em toda a cadeia produtiva, e não somente na sua atividade principal. Uma grande companhia de alimentos, por exemplo,  sabe que não deve ser neutra apenas nas suas lojas, mas também deve estar atenta à emissão de GEE dos seus fornecedores, em seus escritórios e até em viagens de negócios.

Com um misto de engajamento da equipe e o auxílio da tecnologia — que permite acompanhar e automatizar todo o impacto das atividades da empresa no planeta —, percebe-se o crescimento no quantitativo e alcance de projetos relacionados à agenda ESG. Afastando, dessa forma, o receio de que as boas intenções fiquem somente nas palavras e nunca entrem em prática. Em paralelo, a busca por certificações internacionais cresceu, sempre com o objetivo de atestar as ações positivas das companhias.

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Quais os grandes desafios para neutralizar as emissões de carbono?

Existem muitos desafios para implementar essa economia de baixo carbono e alcançar o título de “carbono neutro”. Um deles é alcançar a neutralidade não somente na sua atividade principal, mas em toda a cadeia de produção da empresa.

O Protocolo de Gases do Efeito Estufa, ou Greenhouse Gas Protocol (GHGP) foi instituído para ser um padrão global para empresas e organizações medirem e gerenciarem suas emissões de GEE e se tornarem mais eficientes, resilientes e prósperas Conforme esse protocolo internacionalmente aceito para inventário de GEE, existem três fontes de emissão:

  • Escopo 1: emissões com responsabilidade direta da empresa.
  • Escopo 2: emissões indiretas causadas pelo consumo de energia elétrica.
  • Escopo 3: emissões indiretas que têm relação com a atividade da empresa, mas que não são controladas por ela.

Controlar essas emissões indiretas do Escopo 3 é mais difícil. Porém, qualquer deslize nessa cadeia de produção pode acarretar em prejuízos incalculáveis para o meio ambiente e, consequentemente, riscos de imagem para a empresa. Por isso é necessário definir medidas para alcançar a neutralidade também nesse escopo.

Imagine uma empresa de aluguel de veículos, por exemplo. A sua cadeia de suprimentos vai além da sua atividade de oferecer um serviço para os clientes, mas passa pela produção dos automóveis e pela geração do combustível utilizado, além de outras dezenas de variáveis.

Tornar os escopos 1 e 2, que têm uma relação direta ou indireta durante a produção é mais simples, porque o controle é maior. Porém, como garantir a neutralidade de todo o resto dessa cadeia? Assim, um grande desafio é controlar todas essas variáveis e evitar os riscos envolvidos no processo.

Outro grande obstáculo é o tempo para colocar as ações em prática. Apesar de o Acordo de Paris ter objetivos para 2050 ou mesmo para o fim do século, é importante mudar essa curva agora para colher os resultados no futuro. Portanto, mais do que metas no papel, são necessárias ações mais efetivas nos próximos anos.

Como a tecnologia pode auxiliar nesse processo?

Sem dúvidas, a tecnologia pode ajudar a desatar esses nós e acelerar o processo de adesão a uma economia de baixo carbono. O principal avanço é a digitalização, que traz uma visão mais ampla de tudo que envolve a atividade da empresa e permite monitorar as ações e técnicas aplicadas.

Por outro lado, é praticamente impossível pensar em sustentabilidade em um contexto de larga escala sem o uso de dados e tecnologia. Ou seja, a busca pela neutralidade de carbono passa pela aplicação desses recursos, sempre com o objetivo de integrar essa cadeia de valor.

O Brasil é um dos maiores países do planeta e um grande produtor agrícola, ao mesmo tempo em que possui robusta legislação ambiental — que, conforme o bioma, estabelece parcelas de aproveitamento econômico e áreas de preservação em territórios rurais — além de áreas intactas de vegetação nativa. 

Por tudo isso, o campo brasileiro tem um grande potencial na redução das emissões e aumento do sequestro de carbono no solo e nas plantas. Nesse contexto, as soluções digitais que acompanham o nosso agronegócio são estratégicas para: 

  • espacializar os territórios;
  • tornar georreferenciadas informações que antes eram somente tabulares;
  • digitalizar operações;
  • otimizar vendas e compras com base em logística;
  • tomada de decisão mais certeira com base em avaliações socioambientais
  • além de rastrear as áreas de desmatamento e focos de incêndio (possíveis queimadas).

Afinal, o Brasil é um país onde o fornecimento de matéria-prima oriunda do campo está no seu DNA. Cumprir essa aspiração dos consumidores por produções mais sustentáveis e responsáveis passa pelo controle de todas essas variáveis, desde o campo até o varejo, mapeando e reduzindo os riscos socioambientais.

Adotar uma economia de baixo carbono é uma urgência em todo o planeta e as companhias terão protagonismo nessa luta por um crescimento mais sustentável. Ser Net Zero é mais do que um projeto de marketing, mas um projeto com foco em revolucionar o negócio, aproveitando o desenvolvimento da tecnologia para gerar um impacto positivo também na Terra.
A Agrotools é uma agtech líder em soluções digitais para o agronegócio. Um dos produtos é o Brand, que monitora os riscos socioambientais da empresa em toda a cadeia de valor — do campo ao varejo. Acesse aqui e veja como ele pode ser útil para a sua companhia!

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