GTPS: muito orgulho de fazer e ser parte deste grupo.

A história e as histórias do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável, que a Agrotools integra desde 2011.

*Breno Felix

Em 2006 o Brasil amargava os impactos negativos da percepção mundial que responsabilizava nosso sistema de produção de carne pela destruição de florestas, em especial na região amazônica. As ações ilegais e danosas ao meio ambiente, provenientes de alguns produtores rurais, motivavam essa pressão e as restrições por parte de órgãos nacionais e internacionais.

No ano seguinte, alguns líderes do setor, juntamente com empresários e representantes de organizações civis, decidiram se mobilizar para buscar caminhos que finalmente balizassem a cadeia produtiva da pecuária brasileira.

Aquela iniciativa se tornaria a semente do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), consolidado em 2009 como uma mesa-redonda de agenda positiva para o segmento, analisando gargalos e estruturando ações que possibilitam produzir carne no país, com cuidado e respeito aos recursos naturais, em equilíbrio com os pilares econômico, social e ambiental.

Desde seus primeiros anos, o GTPS conta com suas seis categorias (Produtores, Frigoríficos, Varejo, Sociedade Civil, Insumos & Serviços e Instituições Financeiras) embarcadas em múltiplas iniciativas, atendendo demandas dentro e fora do país e com metas ambiciosas: TAC (Termos de Ajustamento de Conduta), Moratória da Pecuária, Acordo de Paris, Declaração de Nova York, entre outras, são alguns exemplos. O grupo também trabalhou na melhoria de políticas de sustentabilidade, protocolos de monitoramento socioambiental, programa ABC, Cadastro Ambiental Rural e segue perseguindo como viabilizar o sonho do PSA (Pagamentos por Serviços Ambientais).

As ações do GTPS foram pioneiras e seguiram fazendo escola, incentivando, inclusive, a criação da Mesa-Redonda Global da Carne Bovina Sustentável  (Global Roundtable for Sustainable Beef – GRSB). O reconhecimento com o Certificado de Excelência em Sustentabilidade por sua Governança Corporativa (IBEF-2014) foi outro feito do grupo. Além disso, países como Canadá, Estados Unidos, Colômbia, Uruguai, México, Austrália, Argentina e Paraguai, entre outros, passaram a seguir o exemplo de criação de mesas de representação e fomento à pecuária sustentável.

GTPS & Agrotools

O propósito e o posicionamento da Agrotools aproximaram a companhia do GTPS desde o início e, a partir de 2011, tive a satisfação de receber do nosso fundador, Sergio Rocha, a missão de conduzir o relacionamento e nossa participação no grupo. Muito gratificante compor um quadro tão diverso e engajado, que transbordava intenções e propósitos em consonância com as melhores práticas do setor. As ideias e discussões traziam empoderamento para pensar e agir em escala global. Havia forte convergência das empresas, interesses e ações em prol da pecuária, que tinha tudo para se acertar e crescer.

De todas minhas vivências nesse contexto, a iniciativa mais marcante foi o processo de concepção e criação do GIPS (Guia de Indicadores da Pecuária Sustentável), em 2014, um robusto projeto para que o produtor rural, de forma autônoma, pudesse avaliar seu nível de sustentabilidade. Foi elaborado ao longo de uma jornada intensa, de mais de três anos, com reflexões realizadas em diferentes cidades, ambientes e com um grupo seleto de mentes criativas e comprometidas com a natureza e o futuro da pecuária brasileira.

O resultado desse trabalho gerou uma plataforma e um aplicativo, com dezenas de perguntas-chaves, organizadas em princípios, critérios e indicadores. Ao serem respondidas, levam o produtor a uma reflexão ampla sobre seu negócio, papel e corresponsabilidades. Por fim, apresenta um caminho claro para alcançar e evoluir até um sistema de produção sustentável.

Cumprindo seu papéis

Foi um período de desafios complexos para a pecuária, pois ainda em 2009, com a moratória da carne e os TACs, principalmente, toda uma cadeia de produção foi questionada e pressionada, de modo que, em tempo recorde, era preciso entregar soluções e resultados com transparência.

Como gestão e o monitoramento geoespacial já estava no DNA da Agrotools, apresentar soluções tecnológicas e eficazes foi um processo natural. Com isso, as ferramentas Safe e Brand ocuparam espaço e geraram excelentes cases, provando que era possível implantar programas de rastreabilidade e monitoramento da origem dos bovinos, em qualquer escala, com visibilidade, segurança e confiabilidade.

Desde então, as maiores marcas e players do segmento adotaram a tecnologia Agrotools para conhecer melhor ou monitorar a cadeia produtiva da pecuária: Walmart, Carrefour, ABIEC, JBS, Marfrig, Minerva, Naturafrig, Frigol, Agra, Boi Branco, Novilho Precoce/MS, Arcos Dorados e McDonalds, entre outros, desenvolveram projetos customizados de acordo com a necessidade de cada empresa e que geraram impacto positivo em suas operações.

Hoje, Safe e Brand atendem mais de 50% da superfície de produção de carne bovina no Brasil, além de aparelhar frigoríficos e varejistas, agregando valor de sustentabilidade à pecuária de ponta a ponta.

Novos tempos

Em 2018, dando sequência à jornada entre comissões, seminários e como membro do conselho do GTPS ao lado de bons e competentes companheiros de estrada, assumi a Comissão Executiva do grupo, com o presidente Caio Penido (Grupo Roncador) e o vice-presidente Leonardo Lima (Arcos Dorados/McDonalds).

Mas essa etapa começou turbulenta, após alguns meses de entendimento e planejamento. Quando colocamos o plano em ação, perdemos nossa liderança executiva e, ao mesmo tempo, a imagem internacional do Brasil e de sua pecuária ruíam. Também enfrentávamos forte polarização política e ambiental-produtiva, além das notícias das queimadas e desmatamento crescentes.

Mas nós três – eu, Caio e Léo – tínhamos uma proposta para o GTPS e íamos seguir em frente de qualquer forma. A ideia era trazer relevância, protagonismo, conteúdo e reconhecimento e, para isso, seria preciso mudar a dinâmica e concentrar o foco em três objetivos principais: promover o reconhecimento do produtor que trabalha de acordo com a lei, valorizar os produtores responsáveis e ser referência em pecuária sustentável para o mundo.

Depois de um processo de hunting, hiring e onboarding da nossa (nova) escudeira, Luiza Bruscato, que passou a coordenar o grupo, o novo plano começou a ser praticado a partir do fim do ano passado. Com isso, recolocamos o trem nos trilhos: o GTPS voltou a propagar uma agenda dinâmica e positiva e, apesar de todas as adversidades e de uma pandemia mundial em curso, nunca estivemos tão seguros de que vamos decolar. Ou melhor dizendo: já decolamos!

Na nova configuração, a condução das agendas mais quentes está a cargo das três comissões, a de conteúdo, que cuida da inteligência técnica dos temas de maior impacto do setor; de engajamento, com foco na disseminação do GIPS e de comunicação, que busca o melhor direcionamento e posicionamento para as abordagens da pecuária sustentável.

Aliás, como na maioria dos setores da economia, o GTPS foi impactado pela COVID-19, mas decidimos focar na parte boa. Aproveitando que a inércia da transformação digital foi rompida, fizemos a primeira reunião remota do Conselho Diretor. E que evolução: foi a mais objetiva e produtiva reunião de conselho da qual participei e, sem dúvida, com menores emissões de gases de efeito estufa de todos os tempos.

Sustentabilidade tipo exportação

As experiências e um ciclo de maturação longo do GTPS permitiram construir uma sólida plataforma de sustentabilidade para a cadeia de valor da carne. Hoje nos orgulhamos de ter histórico, histórias, representatividade, pioneirismo e um Brasil de oportunidades.

Podemos, como nenhum outro país, levar ao mundo mais proteína, com origem conhecida e pegada de carbono monitorada, com produção à pasto, animais livres e alto nível de bem-estar do gado. Além disso, temos o melhor IVP¹ (índice verde da produção) da carnedo mundo, apresentando uma das maiores relações entre hectares de floresta protegida e tonelada de carne produzida por um país.

Estamos com quase tudo pronto, caminhando rumo à lapidação final. O foco agora é reconhecer o produtor que já trabalha dentro dos protocolos socioambientais, valorizar seus produtos e comunicar em alto e bom som ao mercado que somos sustentáveis por natureza!

Agora que você já conhece um pouco da história, venha fazer parte deste grupo de discussão, com propósito. O GTPS está de porteiras abertas e fica aqui meu convite pessoal para ingressar nos canais e saber mais sobre nossas iniciativas. O novo site proporciona uma viagem informativa e promissora pelos caminhos da sustentabilidade na pecuária.

*Breno Félix é sócio-diretor da Agrotools e membro do Conselho Executivo do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS)

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