Fiagro: veja como funcionam os fundos de investimento do agronegócio e seus impactos para o setor!

O agronegócio é um dos setores mais importantes da economia brasileira, com participação acima de 25% do PIB, segundo dados do IBGE. Para aumentar os investimentos no nosso campo e trazer novas fontes de recursos para produtores e empresas dessa cadeia, a fim de continuar a sua expansão, surge o Fiagro.

Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais foram inspirados nos Fundos Imobiliários, mas adaptados para a realidade rural. Eles abrem uma nova possibilidade para aqueles inseridos no setor se capitalizarem e conseguirem novos recursos, além de fortalecer a agenda ESG no país, como veremos mais adiante.

Por isso, neste artigo, explicamos os principais pontos do Fiagro e como ele pode impactar esse mercado, possibilitando sua expansão nas próximas décadas. Confira!

Qual o contexto dos investimentos no agronegócio?

Nas últimas décadas, o agronegócio vem se expandindo rapidamente. Entre 1975 e 2017, enquanto a produção de grãos cresceu mais de seis vezes, chegando a 236 milhões, a área plantada apenas dobrou, segundo dados da Embrapa. Ou seja, houve uma aceleração na produtividade, que foi possível pelos investimentos e inovação no setor.

Nos próximos anos, a tendência é que o cenário continue em alta. Mesmo durante a pandemia, o país exportou 131,5 milhões de toneladas de produtos agrícolas, segundo números do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Além disso, o Brasil lidera a exportação de soja, açúcar e café.

O mercado de crédito rural (público e privado) é o grande motor de investimentos no setor, mas a tendência é precisar cada vez mais de recursos para custear essa expansão. Assim, há a necessidade de aumentar as formas de captação de recursos, democratizando o acesso para novos investidores.

Com uma barreira de entrada menor, a expectativa é aproveitar o crescimento no número de investidores do país — houve um crescimento de 43% na bolsa de valores no primeiro semestre de 2021 e trazê-los para o agronegócio. Por outro lado, o setor se favorece com mais recursos e capacidade de investimento.

Para o período de 2021/2022, o Plano Safra destinará R$251,2 bilhões de recursos, além dos recursos privados. Contudo, a Frente Parlamentar da Agropecuária estima que sejam necessários mais de R$700 bilhões para custear toda a produção brasileira. É nesse contexto que surge o Fiagro.

O que é o Fiagro?

O Fiagro (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) é um novo tipo de investimento, criado pela Lei N° 14.130 de março de 2021. Em resumo, são fundos voltados para impulsionar o agronegócio brasileiro, facilitando a captação de recursos e investimentos nesse setor.

Os fundos de investimento funcionam como um condomínio. Seu objetivo é reunir os recursos dos participantes e aplicá-los em conjunto no mercado financeiro ou de capitais. Um gestor profissional ou uma instituição financeira ficam responsáveis pela decisão de onde investir os valores, sempre obedecendo as políticas definidas pelo seu regulamento.

Para participar do fundo, os investidores adquirem cotas, que somadas representam o seu patrimônio total — cada um adquire quantas quiser, ou seja, não é preciso ser dividido igualmente. No caso do Fiagro, os investimentos devem ser feitos em ativos do agronegócio para fazerem parte desse grupo.

Quando um investidor pessoa física ou jurídica compra uma cota em um fundo de investimento, a expectativa é que ela se valorize, aumentando seu patrimônio. Para isso, as aplicações realizadas pelo fundo procuram ser positivas, para que os ganhos sejam divididos proporcionalmente entre os participantes.

A criação do Fiagro foi inspirada nos Fundos Imobiliários, que estão em alta nos últimos anos. Para se ter uma ideia, essa modalidade teve crescimento de 76% no número de investidores em novembro de 2020, comparado ao ano anterior. Porém, o agro tem um potencial ainda maior a ser explorado.

Em 2020, o agronegócio teve participação de 26,6% no PIB do Brasil, de acordo com o IBGE. Os bons resultados seguiram no primeiro trimestre de 2021, em que o setor avançou 5,7% e impediu que o Produto Interno Bruto ficasse negativo. O Fiagro surge para alavancar ainda mais esses números e trazer mais pessoas para o mercado.

No que um Fiagro pode investir?

Para se caracterizar como participante do Fiagro, os fundos devem seguir determinadas regras. A principal é que os recursos captados com os investidores precisam ser aplicados em ativos relacionados ao setor agroindustrial, que vão desde propriedades rurais até cotas de outros fundos que invistam no setor.

O texto da lei especifica no que o Fiagro pode investir seus recursos:

  • imóveis rurais (aquisição de fazendas, por exemplo);
  • participação em sociedades que explorem atividades integrantes da cadeia produtiva agroindustrial;
  • ativos financeiros, títulos de crédito ou valores mobiliários emitidos por pessoas físicas e jurídicas dentro da cadeia produtiva agroindustrial;
  • direitos creditórios do agronegócio e títulos de securitização emitidos com lastro em direitos creditórios do agronegócio, inclusive certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) e cotas de fundos de investimento em direitos creditórios;
  • direitos creditórios imobiliários relativos a imóveis rurais e títulos de securitização emitidos com lastro nesses direitos creditórios;
  • cotas de fundos de investimento que apliquem mais de 50% de seu patrimônio em ativos dessa lista.

Em resumo, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais poderão, entre outras coisas, realizar a compra de propriedades rurais, ser acionistas ou comprarem parte de companhias, investir em outros fundos que operam no setor ou em títulos de dívida e direitos creditórios.

De fato, o Fiagro oferece uma grande versatilidade para os gestores, ampliando as possibilidades de captação de recursos para a agroindústria brasileira. Nesse sentido, será fundamental ampliar o conhecimento sobre o campo, por meio de tecnologias, para encontrar oportunidades e mitigar riscos.

Quais os principais impactos do Fiagro?

Nos próximos anos, a expectativa é que, com a consolidação desses fundos de investimento no agro, o mercado receba um maior volume de recursos, o que é ideal para manter sua expansão. Para além disso, o seu crescimento também deve trazer mais conceitos de ESG para o mercado, principalmente pelo relacionamento mais próximo com o mercado financeiro.

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Confira alguns possíveis impactos do Fiagro no agronegócio!

Diversificação dos investimentos no agronegócio

Com a criação do Fiagro, os investidores têm uma nova alternativa para ingressar no agronegócio e aproveitar todo o potencial do setor. Atualmente, as maneiras mais comuns para isso são comprar ações de empresas listadas na bolsa (que não são muitas) ou comprar títulos de renda fixa, como o CRA.

As instituições financeiras que operam o crédito rural, por exemplo, podem criar um Fiagro para captar novos clientes interessados nessa área e aplicar seus recursos. O mesmo vale para as gestoras de fundos que operam no mercado financeiro. Assim, há alternativas para diversificar a carteira de clientes e ativos.

Nesse sentido, é possível criar um fluxo interessante para todos os envolvidos na área. Enquanto investidores e instituições financeiras podem aproveitar ainda mais o potencial do agronegócio, produtores e empresas inseridos nessa realidade devem receber mais recursos para investir em inovação e tecnologia.

Novas fontes de captação de recursos

Por outro lado, os produtores rurais e as empresas que estão inseridas nessa cadeia do agronegócio também devem ser impactadas positivamente, porque haverá uma nova fonte de capital. Com a menor barreira de acesso para novos investidores e os bons resultados recentes, o volume de investimentos deve subir.

Em 2020, as exportações no agro brasileiro bateram todos os recordes. Segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), o volume cresceu 10% e o faturamento 4%, em comparação com o ano anterior. No total, o faturamento atingiu US$101 bilhões, o que ultrapassa os R$500 bilhões.

E a demanda só tende a aumentar nos próximos anos. Segundo o Ministério da Agricultura, a produção agrícola deve crescer 20% até 2030 no país. Dito isso, novos recursos são bem-vindos, seja para custear a safra, investir em novas tecnologias ou para criar e apoiar novas empresas no mercado.

Expansão das práticas ESG no setor

Um dos possíveis impactos do Fiagro no agronegócio é a adoção mais robusta da agenda ESG, principalmente pela entrada de fundos de investimento no setor. Atualmente, o mercado financeiro coloca os fatores ambientais, sociais e de governança como prioritários na decisão de onde aplicar recursos.

Nesse sentido, a tendência é que os recursos sejam direcionados, por exemplo, para as propriedades rurais ou empresas que estão em compliance socioambiental. A consequência será um fortalecimento da agenda no setor, porque será cada vez mais difícil se capitalizar sem ter esse cuidado socioambiental e uma forte governança corporativa.

Para as gestoras ou instituições financeiras que ofertarem um Fiagro no mercado, será fundamental encontrar maneiras para monitorar os ativos e garantir as melhores práticas de ESG. De certo, a tecnologia terá papel importante nessa equação, principalmente com soluções digitais que acompanham a cadeia produtiva e mitigam riscos.

O Fiagro já está em vigor?

Como vimos anteriormente, a lei que instituiu o Fiagro já está em vigor, mas os investidores ainda não podem adquirir cotas no mercado financeiro. Depois da sanção, o próximo passo era a regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários, o que ocorreu com a Resolução CVM nº 39, de 13 de julho de 2021. 

As regras foram editadas em caráter experimental, com o objetivo de testar o mercado e, com a experiência adquirida nos próximos meses, atualizar a regulamentação. Depois da resolução, a B3, a bolsa de valores oficial do Brasil, passou a aceitar pedidos de listagem de fundos desde 02 de agosto de 2021.

Naturalmente, há um processo de preparação e análise para que os ativos estejam disponíveis ao público. Ou seja, neste momento as instituições financeiras e gestores estão criando seus fundos e definindo, por exemplo, qual serão os objetivos de investimento. As negociações de cotas serão liberadas a partir do dia 22 de novembro de 2021.

Como está funcionando em caráter provisório, o Fiagro foi dividido em três categorias — quando houver a regulamentação definitiva, a tendência é que as alternativas sejam maiores. São elas:

  • Fiagro – Imobiliário: fundos em ativos imobiliários, incluindo os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
  • Fiagro – Direitos Creditórios: fundos que apliquem em direitos creditórios.
  • Fiagro – Participações: fundos em participações, como sociedade em empresas.

Como as soluções digitais podem impulsionar o Fiagro?

A agenda ESG é uma realidade no mercado financeiro, o que é comprovado por relatórios recentes de grandes gestoras de investimento. Nesse sentido, o Fiagro pode trazer avanços positivos para essa pauta no país, porque os fundos serão administrados justamente por profissionais e companhias do mercado.

Vamos pegar o primeiro tipo de Fiagro (Imobiliário) como exemplo. Se o objetivo do fundo é fazer a aquisição de propriedades rurais, será fundamental realizar uma análise socioambiental daquele local para conhecer os riscos envolvidos e saber se está em compliance socioambiental, ou seja, que não tem irregularidades.

O mesmo ocorre nas participações, ou seja, na compra ou investimento em companhias do agronegócio. É fundamental saber se elas respeitam as boas práticas relacionadas ao meio ambiente, incluindo a sua cadeia de valor — que não deve ter uma rastreabilidade limitada. Isso é possível com soluções que acompanham todas essas variáveis.

No lado dos produtores e empresas que atuam diretamente no agro, haverá um incentivo para a aceleração da profissionalização da sua gestão. É provável que os fundos prefiram ter participação em propriedades ou negócios que tenham boa governança e que estejam mais bem posicionadas para crescer no mercado.

Um ponto em comum para todas essas variáveis é a importância de investir em tecnologia e inovação. Com as soluções digitais, as gestoras ou instituições financeiras estão municiadas de informações relevantes sobre o nosso campo e são capazes de, mesmo a milhares de quilômetros de distância, conhecer essas propriedades com profundidade.

Enfim, o Fiagro surge para oferecer uma nova forma para toda a cadeia do Agro se capitalizar e também para democratizar o acesso de investidores ao agronegócio, que é um setor com alto potencial de crescimento. Com essa aproximação do mercado financeiro e o agronegócio, aparece um novo leque de oportunidades para seguir essa expansão do setor.
Você sabe a importância da relação entre ESG e o agronegócio? Confira esse artigo e veja como adotar esse conceito na sua companhia!

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