Mercado de capitais: novas alternativas de financiamento para o agro

Sustentáculo da economia brasileira, o agronegócio foi responsável, em 2020, por 26,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando, sozinho, R$ 2 trilhões. E segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA, a previsão é que feche 2021 com crescimento de mais de 2,5%. Apesar dos ótimos números, o único setor a se manter em alta no Brasil durante a crise causada pela covid-19 ainda sofre com gargalos em sua estrutura de financiamento.

Esses gargalos travam o desenvolvimento de muitos produtores e minimizam as oportunidades de negócio para quem pode e quer investir no campo e na agroindústria, especialmente bancos, financeiras, cooperativas de crédito e seguradoras.

A boa notícia é que a expansão da agenda ESG, a aprovação de novas legislações e a pandemia do coronavírus criaram o cenário perfeito para fomentar o interesse do mercado de capitais pelo agro. É sobre isso que tratamos neste artigo. Boa leitura!

O cenário para o financiamento agro hoje

Não é novidade que, apesar de iniciativas de financiamento público, como o Plano Safra, o agronegócio do Brasil sofre com a insuficiência de recursos para financiar o setor.

De acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras, a OCB, a agropecuária nacional precisaria de R$ 900 bilhões em financiamento para cobrir seu custeio, comercialização, industrialização e investimentos. Esse número deixa claro a demanda por financiamento privado que existe no setor, que para continuar a crescer e se modernizar precisa que alternativas de investimento se somem.

O mercado de capital é uma dessas alternativas, especialmente porque há nele muito espaço para a expansão do agro, já que hoje o setor, responsável por mais de 1/4 do PIB do país, é sub-representado na B3, com menos de 5% do seu valor comercializado na bolsa. Essa sub-representação, no entanto, não impediu que o Índice BrasilAgro (índice das ações das companhias do agronegócio listadas na Bovespa) tivesse alta de aproximadamente 60% em 2020. 

E as condições atuais favoráveis, com dólar alto e boom das commodities, aprovação de novos marcos regulatórios e interesse dos investidores em um setor sólido que, com os critérios certos de governança, pode servir de modelo para a construção de uma economia mais sustentável, deve expandir a presença no agro nesse mercado.

Fatores que tornam o agro atraente para o mercado de capitais

Único setor da economia brasileira a crescer durante a pandemia, o agronegócio vive a tempestade perfeita para a expansão e a diversificação de modelos de financiamento de sua cadeia produtiva. Nós destacamos alguns dos fatores que construíram esse cenário:

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Pandemia e aumento da demanda por alimentos

Durante a crise sanitária causada pelo coronavírus, a demanda por alimentos cresceu no Brasil e no mudo, isso teve grande impacto nos resultados do agro brasileiro, terceiro maior produtor de alimentos do planeta.

Além disso, a FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, declarou que a agricultura mundial terá de ampliar em 70% a produção de alimentos até 2050, para atender às necessidades de uma população estimada de 9,7 bilhões de pessoas E a expectativa é que o Brasil seja responsável por 40% da produção adicional de alimentos que o planeta precisará no futuro.

Novas legislações

Como já dissemos neste texto, outro ponto que deve estimular a expansão do mercado de capitais no agro são as novas legislações para o financiamento do setor.

Sancionada em maio de 2020, a Lei 13.986/2020, conhecida como Lei do Agro, amplia, moderniza e facilita o financia agrário ao:

  • criar o Patrimônio Rural em Afetação
  • instituir o Fundo Garantidor Solidário
  • possibilitar a indexação da Cédula de Produto Rural (CPR) em moeda estrangeira e viabilizar a emissão utilizando subprodutos e derivados da cadeia
  • instituir a Cédula Imobiliária Rural
  • aprimorar a aquisição indireta de propriedades rurais por empresas e investidores estrangeiros.

Já a Lei 14.130/2021, do Fiagro, aproxima o agro do mercado de capitais por possibilitar que investidores pessoa física ou jurídica, nacionais e estrangeiros, apliquem em fundos que seguem modelo semelhante ao dos Fundos Imobiliários (FII).

Solidez e sustentabilidade do setor

Há ainda a solidez do setor agro brasileiro, que além dos resultados já alcançados, tem previsões otimistas para os próximos anos. E as expectativas são que, com o aumento do número de agentes do setor adotando a agenda ESG, o agronegócio cresça com mais responsabilidade social, proteção ao meio ambiente e governança: exigências urgentes do mercado para os alvos dos seus investimentos.

A importância do acesso às informações para esse movimento

Um insight necessário para quem pretende participar do movimento de expansão do mercado de capitais no agro é entender a importância do acesso a dados sobre produtores e agroindústrias a serem financiados. 

Em tempos de afirmação da agenda ESG e da multiplicação de green bonds e outros investimentos sustentáveis, ter ferramentas que monitorem e comprovem compliance com critérios de governança e responsabilidade social e ambiental é fundamental para o sucesso da cadeia agro.

Esperamos que nosso conteúdo sobre o mercado de capitais e o financiamento agro seja útil para você e para os seus negócios. Se você quiser conhecer soluções digitais que ajudam a diminuir a assimetria de informações e conectar o campo à cidade, visite o nosso site e veja como a maior AgTech da América latina pode apoiar a sua empresa.

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