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Consumo de água no agro: melhores práticas visando o uso racional

Consumo de água no agro: melhores práticas visando o uso racional

Consumo de água no agro: melhores práticas visando o uso racional

21 de julho de 2022

Tempo de Leitura: 7 minutos

O consumo de água é uma das grandes preocupações no agronegócio. Afinal, assegurar água potável e saneamento para todos, por meio da gestão sustentável, é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pelas Nações Unidas na Agenda 2030.

Segundo dados levantados pelo Programa Mundial de Avaliação da Água da ONU, 72% do volume de água consumida no Brasil é voltada à produção agrícola, e 11% à pecuária, porém, a oferta de água pelo país é desigual, vários municípios sofrem com grande escassez hídrica e têm de desenvolver métodos de captação e reaproveitamento de água para sanar sua demanda e garantir a produção de alimentos.

Em linha com a agenda ESG, as empresas que compram direta ou indiretamente de propriedades rurais se organizam para garantir que seus fornecedores utilizem os recursos de forma consciente. Nesse sentido, elas são capazes de evitar riscos reputacionais e financeiros por esse tipo de relação, além de trazer um impacto positivo para o meio ambiente.

Por isso, conheça as melhores práticas para aumentar a eficiência no consumo de água em atividades produtivas!

Escassez hídrica é uma ameaça real

Com a intensificação da pauta ESG, o assunto ganhou a importância necessária, mas a preocupação com o desperdício de água existe há décadas. A Resolução Nº 54 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), por exemplo, já trazia diretrizes para a prática de reúso em 2005.

Isso porque a escassez hídrica é uma ameaça para as próximas décadas. Para além das mudanças climáticas, que podem deixar os resultados do agronegócio ainda mais instáveis e repercutem nesse aproveitamento, um estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) indica que haverá um aumento no consumo de água de 24% até 2030.

Por outro lado, uma pesquisa do MapBiomas mostrou que o Brasil perdeu 15% dos seus recursos hídricos nas últimas três décadas, sendo uma parte considerável das reduções em fronteiras agrícolas. Logo, essa é uma pauta fundamental para o setor, que deve atuar para evitar crises hídricas.Nova call to action

Melhores práticas no consumo de água no agro

O consumo consciente de água é uma das iniciativas do Sistema B, que é uma organização sem fins lucrativos que certifica negócios que equilibram propósito e rentabilidade. Mais do que avaliar diretamente os negócios, há também uma análise direta nos impactos causados pela cadeia de valor.

Ou seja, o seu negócio precisa garantir que não tem fornecedores que desrespeitam essas práticas. Não é aceitável que uma grande rede de varejo, por exemplo, compre sua matéria-prima de propriedades que não tenham um consumo racional e não estejam engajadas no crescimento sustentável.

Desse modo, confira algumas práticas que fazem a diferença na redução do consumo de água. Elas devem ser estimuladas para trazer um efeito positivo no agronegócio brasileiro.

Captação de água das chuvas

É uma solução que traz um excelente custo-benefício, porque é possível captar e reutilizar a água da chuva em sistemas de irrigação através de cisternas, por exemplo. Outro método é cavar valas no solo até atingir uma camada impermeável, permitindo, assim, que a água da chuva escorra pelo solo. Há também práticas mais antigas como as curvas de nível, que criam um cordão de infiltração lenta da água da chuva captada

Métodos de reúso

Além da chuva, existe a possibilidade de reaproveitar a água utilizada nas lavouras ou na pecuária, com melhor gestão dos recursos hídricos.

Redução de desperdícios

Naturalmente, o ideal é que as propriedades rurais tenham um uso consciente de água, sempre evitando o desperdício e com impacto positivo no ecossistema. É essencial melhorar a infraestrutura do sistema de distribuição de água em plantações irrigadas, evitando perdas nas tubulações e canais.

Cuidados com o solo

O solo tem relação direta com o consumo de água, porque locais com maior erosão precisam de um maior número de irrigações. Um método desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo para recuperar áreas degradadas e evitar a erosão do solo é a escavação de pequenas barragens. Outros meios para se preservar o perfil do solo são a rotação de cultura, Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), plantio direto, a prática de cobertura do solo que favorecem a infiltração de água e diminuem a movimentação dos sedimentos no solo, além de favorecer o ciclo hidrológico. Portanto, cuidar do solo significa economizar água.

Dentre os métodos de reúso de água, pode-se citar o uso do biodigestor e a fertirrigação, quando a água também atua como um biofertilizante, aliviando, inclusive, a dependência do Brasil sobre a importação de fertilizantes, uma vez que os efluentes são ricos em nutrientes como NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio). A água usada para limpar tubulações de ordenhadeiras ou mesmo a água usada para higienizar outras instalações podem ser tratadas e usadas na fertirrigação.

Para isso, é necessário atualizar e criar novas diretrizes sobre o uso racional e reúso de água, e expandir as estações de tratamento de esgoto para que estas práticas consigam avançar no país. 

Outra ferramenta que auxilia na manutenção de cursos d’água, tornando-os mais regulares ao longo do ano, inclusive reduzindo o impacto de inundações, é o próprio Código Florestal que institui a existência de Áreas de Preservação Permanente em regiões de mata ciliar nas propriedades rurais, de forma a evitar a sedimentação dos corpos d’água. É essencial preservar áreas de vegetação nativa para manter o equilíbrio do ciclo hidrológico.

Planejar o uso da água e atuar em prol de sua preservação se tornam essenciais, pois minimizam a poluição hídrica nos mananciais, promovem o uso sustentável deste recurso, evitam a erosão e controlam processos de desertificação do solo, além de aumentarem a produtividade agrícola e garantirem a segurança alimentar devido a maior produção de alimentos. Somente aderindo a estas práticas sustentáveis será possível  enfrentar as crises de fornecimento hídrico.

Nova call to action

Tecnologia é aliada no monitoramento da cadeia de fornecedores

As soluções digitais da Agrotools atuam diretamente para melhorar os índices de sustentabilidade da sua empresa. Nesse caso, é possível fazer uma análise da composição e uso do solo e da presença de desmatamento em regiões de vegetação ripária identificando remotamente a presença de cursos d’água no território e eventual proximidade das atividades produtivas em conformidade com o que preconiza a legislação.

Sendo assim, com a rastreabilidade da cadeia, o seu negócio é capaz de conhecer a fundo a conduta dos fornecedores e tirar da equação aqueles que não estão em compliance socioambiental. 

Desse jeito, além de ter uma produção mais sustentável e com consumo de água consciente, a sua empresa fica longe dos riscos reputacionais e financeiros, que impactam diretamente na continuidade do seu negócio. Quer saber como, de fato, a Agrotools pode ser sua aliada na adoção de práticas mais sustentáveis? Clique aqui e conheça a nossa solução digital voltada para ESG, compliance e sustentabilidade!

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