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Como os fatores ESG estão redefinindo as empresas familiares?

Como os fatores ESG estão redefinindo as empresas familiares?

Você sabia que as empresas familiares contribuem com mais da metade do PIB e dois terços dos empregos no mundo? Esses dados divulgados pela Oxford Academy comprovam o valor dessas companhias para a nossa economia, mas é importante que esse modelo de empresa consiga avançar na adoção da agenda ESG para não sair da rota de crescimento.

Segundo estudo do Bank of America, 80% dos jovens da Geração Z (nascidos entre 1996 e 2016) preferem comprar ou investir em companhias alinhadas com essas métricas relacionadas a Governança, Responsabilidade Social e Preservação Ambiental. Ao mesmo tempo em que têm o potencial para liderar esse mercado, as empresas familiares têm capacidade para melhorar em tais aspectos, como veremos de forma mais detalhada neste artigo.

Confira alguns dados importantes sobre a relação das empresas familiares com a agenda ESG e veja como essas companhias podem se transformar nos próximos anos!

Qual o panorama da agenda ESG nas empresas familiares?

Recentemente, a PricewaterhouseCoopers (PwC) divulgou os resultados da 10ª Pesquisa Global sobre Empresas Familiares, realizada entre outubro e dezembro de 2020. No total, o levantamento contou com 2.801 participantes, em 87 territórios, e trouxe muitas informações relevantes sobre o futuro dessas organizações.

Sem dúvidas, os fatores ESG ficaram no centro do debate, principalmente porque a pandemia foi um teste para o mercado. Mais do que apenas uma tendência, há uma pressão da sociedade e investidores por negócios mais sustentáveis, que sejam responsáveis com o meio ambiente e busquem uma sociedade mais justa.

No caso das empresas familiares que fizeram parte do levantamento realizado pela PwC, as ações ainda são insuficientes nesse quesito. Apenas 35% dos líderes colocaram a sustentabilidade e a comunidade local como suas grandes prioridades, o que indica que há uma dificuldade em demonstrar esse compromisso socioambiental.

Ademais, a transformação digital é lenta — apenas 15% das empresas afirmaram ter digitalização avançada. Apesar de admitirem a importância desse tema, faltam planos de ação efetivos. Para aquelas que estão bem posicionadas, os resultados são animadores: 53% das empresas com fortes recursos digitais têm a sustentabilidade como ponto central, contra 40% do restante.

O próprio relatório indica sugestões para as empresas familiares evoluírem mais na agenda de sustentabilidade e incorporarem os fatores ESG no negócio. Os principais são traçar metas e encontrar formas de medir o impacto das ações, melhorando a tomada de decisões, e seguir os relatórios não financeiros. Diversificar o conselho também é recomendado.

Qual o impacto dos fatores ESG nas empresas familiares?

No momento em que a responsabilidade socioambiental está em alta, as empresas familiares têm vantagens competitivas. A principal delas é o fato de serem consideradas mais confiáveis do que as outras empresas privadas (67% contra 60% das outras empresas privadas, segundo o Edelman Trust Barometer).

Nesse sentido, em um mundo que pede mudanças urgentes, essas companhias estão prontas para liderar essa transformação. Porém, apesar desse potencial, a pauta ESG ainda foi colocada totalmente como prioridade, o que pode ser prejudicial no longo prazo.

Separamos os resultados para cada letra da sigla ESG, destacando também as ações recomendadas em cada cenário. Veja mais!

Sustentabilidade

A dinâmica da empresa familiar tem muitas vantagens, principalmente em momentos de crise. Resiliência, pensamento de longo prazo e compromisso com valores são alguns atributos importantes apontados pela PwC. Porém, no quesito sustentabilidade, é importante preencher algumas lacunas.

Na pesquisa, enquanto 56% dos entrevistados enxergam a chance de liderar o processo no Brasil, somente 39% afirmaram ter uma estratégia de sustentabilidade. Ou seja, o resultado indica que as oportunidades nem sempre são aproveitadas, ligando um sinal de alerta para essas companhias.

Um ponto fundamental é entender como será possível alcançar zero emissões líquidas de carbono. Atualmente, apenas 6% dos entrevistados colocam esse tema como prioridade, mas o avanço do aquecimento global requer atuação mais efetiva para reverter o quadro — tornar a produção mais circular e usar os recursos naturais com responsabilidade são exemplos a serem seguidos.

A PwC recomenda algumas ações para as empresas familiares, entre elas a incorporação dos fatores ESG no plano de negócios e o desenvolvimento de uma comunicação mais efetiva sobre metas e conquistas. Nesse sentido, é importante buscar formas de medir não somente os resultados financeiros, mas também os avanços “intangíveis” sobre o tema.

Responsabilidade social

Como aponta a PwC, a mentalidade de retribuição é um dos pontos fortes da empresa familiar. De fato, quando falamos dos fatores ESG, a responsabilidade social tem papel essencial, porque as companhias devem gerar um impacto positivo para seus funcionários e também para a comunidade em que estão inseridas.

Durante a pandemia da Covid-19, um aspecto interessante das empresas familiares é que elas foram mais resilientes e adaptáveis. Cerca de 82% delas não precisaram de capital adicional, o que indica uma manutenção nas suas atividades, enquanto 88% dos funcionários foram colocados em trabalho remoto.

Igualmente, 80% das empresas no Brasil afirmaram ter algum tipo de atividade voltada para a responsabilidade social, com destaque para a filantropia. São números interessantes e que comprovam essa pegada mais social, mas será necessário ir além e implementar a cultura ESG também nas suas operações e não somente como um “extra”.

Dentro das ações recomendadas pela PwC, o desenvolvimento de uma comunicação eficiente novamente aparece como ponto de atenção. Além disso, é necessário colocar a sustentabilidade como fator na tomada de decisões, que pode trazer uma melhor percepção de marca e menor custo de capital.

Governança

Em geral, as empresas familiares seguem a tradição de passar o comando dos negócios para as gerações seguintes. Nesse caso, preservar o bem de todos é a prioridade (para 80% dos entrevistados no estudo, junto com a criação de um legado), mas a falta de uma governança corporativa bem definida pode minar os resultados no longo prazo.

A resolução de conflitos é uma área da governança que pode avançar. No estudo, 21% dos entrevistados mundialmente afirmaram não ter nenhum mecanismo formal para lidar com esses problemas. Como destaca a PwC: “a harmonia familiar não deve ser dada como certa”, porque conflitos são comuns (apenas 23% disseram nunca ter tido nenhuma discordância).

Além disso, uma mudança importante que deve ser aplicada é a documentação. Apenas 51% das empresas familiares têm declaração de propósito, enquanto 55% têm valores escritos. De fato, os resultados são animadores: 81% dessas companhias esperam crescer em 2021, contra 74% das que não documentam os valores.

Diversificar a composição do conselho, trazendo mais pessoas “de fora” da família e profissionalizar a governança familiar são ações sugeridas pela PwC para desenvolver o tema. É fundamental permitir a ajuda externa, principalmente na resolução de conflitos, e entender que as famílias são dinâmicas e a empresa precisa acompanhar essas mudanças.

O que as empresas podem aprender com os resultados?

Na pesquisa, dois quesitos se destacam em relação às empresas familiares: falta de ações concretas sobre sustentabilidade e atraso na digitalização. Pensando no agronegócio, esses fatores dificultam o seu crescimento para o futuro, principalmente porque inovação e tecnologia são fatores importantes para o seu desempenho.

Entre as empresas com fortes recursos digitais, 71% apresentaram crescimento antes da pandemia contra 60% do restante. Durante a pandemia, aquelas que estavam preparadas foram capazes de criar mais valor e aproveitar as novas oportunidades do mercado.

A própria PwC traz exemplos de companhias que atuavam em um nicho e, com a nova realidade, conseguiram pivotar as operações para conquistar outros espaços. No campo, a tecnologia é peça-chave na busca por um agronegócio mais sustentável, monitorando toda a cadeia de valor e afastando riscos socioambientais.

Internamente, um dos ensinamentos é a profissionalização das atividades. O fato de uma empresa familiar ter pessoas próximas é positivo para as rápidas adaptações, mas a tradição não deve ser o único valor a ser considerado. Se a discordância é inevitável, o jeito é investir em mecanismos profissionais de resolução de conflitos e planejar essa harmonia pensando no futuro.

Por isso, a governança familiar deve entrar em pauta. Todos os valores precisam ser documentados, mesmo que haja sintonia entre as pessoas. Também é importante respeitar as vontades das próximas gerações e, mais do que isso, atualizar constantemente as suas estruturas.

Por fim, as empresas familiares precisam manter seus valores de cuidado com funcionários e comunidade, mas progredir em pautas de sustentabilidade. O segredo será aprender a comunicar as suas ações com maior clareza para o público e avançar na transformação digital para proteger os ativos do negócio.

Em resumo, essas foram as principais conclusões da pesquisa:

  • Embarque no ESG: as empresas familiares têm reputação de cuidar da parte social, mas podem perder o protagonismo na agenda ESG se não comunicarem melhor suas ações.
  • Transformação digital: tirar os projetos de digitalização do papel para buscar progressos no futuro.
  • Profissionalização da governança: trazer a gestão empresarial para as empresas familiares é um meio para garantir o sucesso contínuo.

Implementar os fatores ESG no plano de negócios será fundamental para o sucesso das empresas familiares no futuro. Definitivamente, a tecnologia será um motor para essa transição, principalmente no agronegócio, onde as companhias estão expostas a riscos socioambientais e sofrem diretamente com as mudanças climáticas do planeta.
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