Governança: quais as melhores práticas de mercado para o G da sigla ESG?

Quando o tema ESG (ou ASG, que significa ambiental, social e governança) é abordado, o foco principal fica nas duas primeiras letras da sigla: meio ambiente e sociedade. Porém, não é possível avançar sem a terceira letra, o “G”, que é o desenvolvimento de uma boa governança corporativa.

Depois de alguns escândalos de corrupção nacionais e internacionais no início do século, termos como compliance entraram na moda. Porém, adotar efetivamente as boas práticas de gestão tem um papel fundamental para a visão de longo prazo do negócio, contribuindo para os seus resultados financeiros e para o impacto positivo na sociedade.

Neste artigo, você compreenderá a importância da governança para as organizações e conhecerá quais são os princípios e pilares que devem ser seguidos por elas. Continue a leitura!

Impacto da agenda ESG nas grandes empresas

Há tempos se fala em ESG no mundo corporativo, mas esse assunto deixou de ser uma tendência para se transformar em uma realidade nos negócios recentemente. Dois motivos principais ajudam a explicar esse fenômeno: a pressão da sociedade civil e a mudança de mentalidade nos grandes investidores.

Nos últimos anos, os fundos de investimento colocaram a sustentabilidade como condição para aportes financeiros, deixando de investir em negócios que não têm responsabilidade socioambiental. A pandemia de Covid-19 foi uma outra lembrança da fragilidade dos seres humanos.

Larry Fink, CEO da BlackRock (maior gestora de ativos do mundo), escreveu em sua carta anual endereçada para outros CEOs sobre a urgência de adotar as práticas de ESG. Para ele, todos os modelos de negócio devem buscar a neutralidade em carbono até 2050, por exemplo, construindo uma economia mais benéfica para a população.

Por outro lado, esse movimento também é identificado na sociedade, com consumidores engajados nessa causa. Mais do que apenas um bom produto ou serviço, eles querem conhecer a sua origem e não estão dispostos a comprar de fornecedores que desrespeitam as regras.

Nesse sentido, a governança (G da sigla ESG) tem papel fundamental na busca pelas outras letras (ambiental e social), porque essa mudança parte dos líderes das companhias. São eles que precisam enxergar a importância do tema e abraçar a causa internamente, planejando e traçando metas para mudar o cenário.

Definição de uma boa governança corporativa

A governança corporativa é todo o conjunto de sistemas e processos usados para realizar a gestão de uma empresa. Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), ela envolve direção, monitoramento e incentivo, com a participação de sócios, diretores, conselheiros e todos os stakeholders (partes interessadas) do negócio.

Esse termo ganhou relevância no início do século XXI, com grandes escândalos de corrupção em empresas públicas e privadas. Nesse sentido, como uma resposta à sociedade, houve uma revolução nas práticas administrativas, sempre como foco em aumentar a transparência das suas operações.

Uma boa governança corporativa é aquela que consegue alinhar os interesses privados da organização, garantindo uma marca forte e um crescimento sustentável no longo prazo, com o bem-estar dos acionistas e de toda a sociedade. Além disso, serve para aumentar e/ou recuperar a confiabilidade das suas ações em momentos de crise.

Dessa forma, o papel da GC é criar ferramentas e mecanismos para garantir que os responsáveis pela empresa sempre atuem dentro das regras e alinhado com os interesses de todos os envolvidos. Sua função é avaliar, direcionar e monitorar as ações, aprimorando os processos e garantindo mais transparência e agilidade.

No fim, a governança da empresa é primordial para a atração de investimentos e para a tomada de decisões estratégicas. Ou seja, quando essa área atua com sinergia com o restante da companhia, o resultado é sentido na qualidade da administração, que traz melhores resultados financeiros e mais potencial de crescimento.

Princípios básicos de governança corporativa

Cada empresa tem a sua atividade, modo de operação e cultura organizacional. Porém, em qualquer porte, é uma obrigação atuar em conformidade com a ética e regulação vigente. Um pequeno deslize pode significar um grande arranhão na sua imagem e causar prejuízos milionários.

Nesse sentido, na hora de colocar em prática ou aperfeiçoar a governança corporativa, existem alguns princípios que devem ser seguidos por todas. Eles são vistos como uma base para garantir que a organização está afastando os riscos e que a sua gestão empresarial está de acordo com a expectativa.

No Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, o IBGC definiu os quatro princípios em que qualquer governança deve se basear na administração de uma empresa. Conheça melhor cada um deles e veja como eles influenciam no presente e no futuro da organização!

Transparência

Transparência é a base da confiança entre a empresa e as partes interessadas no negócio. Significa a disponibilização de todas as informações que sejam relevantes e não somente aquelas obrigatórias por lei. Além disso, também não deve se ater somente aos resultados econômicos e financeiros, mas a todos os demais fatores.

Equidade

A empresa e seus stakeholders devem ter um tratamento “justo e isonômico”, ou seja, uma relação de igualdade entre todas as partes, incluindo seus direitos e deveres. As boas práticas não permitem privilégios para nenhuma das partes e a discriminação deve ser eliminada.

Prestação de contas

Junto com a transparência, é um processo fundamental na criação de uma imagem forte para a empresa. Assim, todos os agentes da governança devem prestar contas de suas ações de modo claro e assumir a responsabilidade pelos seus atos, sempre evitando a quebra de confiança nessa relação.

Responsabilidade corporativa

Princípio ligado diretamente com as letras E e S da sigla ESG, indica o impacto social e ambiental da empresa. Os líderes devem zelar pela viabilidade financeira das suas operações, ao mesmo tempo em que devem aumentar as consequências positivas no entorno, como na preservação do meio ambiente.

Boas práticas pensando no futuro

Partindo dos princípios básicos da governança corporativa e de todas as lições aprendidas pelo tema nos últimos anos, o IBGC lançou a Agenda Positiva de Governança, que é uma proposta direcionada para todos os líderes das organizações, sejam eles sócios, conselheiros, diretores ou acionistas, pensando no futuro.

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​Assim, os quatro princípios básicos se transformaram em seis pilares, que devem apoiar todo o planejamento de ações. Essas sugestões podem ser aplicadas em qualquer porte ou atuação, incluindo as pequenas empresas, e adaptadas para a realidade de cada negócio. Conheça os pilares abaixo!

Ética e Integridade

Talvez seja o pilar mais importante, porque é um norte para todos os outros. Os líderes devem praticar atributos como o respeito e a empatia com todos os envolvidos, criando uma cultura de integridade. Ou seja, mais do que afastar irregularidades, é gerar um impacto positivo na sua atuação.

Diversidade e Inclusão

Os líderes devem garantir um tratamento igualitário para todos, sempre pregando o respeito à diversidade. Esse é um tema que deve ser abordado com urgência pelas empresas, principalmente buscando o fim da distinção de gênero e raça, e que pode trazer resultados mais longevos para a organização.

Ambiental e Social

É importante que a estratégia de atuação da empresa esteja interligada com as questões ambientais e sociais. Mais do que apenas tratar o tema de forma institucional, os líderes precisam promover o engajamento da sociedade com o seu modelo de negócio, pensando em sustentabilidade.

Inovação e Transformação

São dois pilares fundamentais para o crescimento sustentável da organização, sempre aplicando o que existe de mais moderno na gestão do negócio. É essencial ter uma visão ampla para gerenciar todos os riscos envolvidos e tomar as melhores decisões para colher os resultados no futuro.

Transparência e Prestação de Contas

Baseado nos princípios da governança corporativa, a prestação de contas de todos os atos de gestão garante mais transparência na relação e diálogo com as partes interessadas. A consequência é a construção da confiança, que gera mais valor para a marca — atraindo novas oportunidades de negócio.

Conselhos do Futuro

Parte fundamental no processo de governança, os conselhos de administração devem continuar a sua transformação para gerar impacto nas organizações. A sua composição deve ser centrada na diversidade, sempre com o objetivo de gerar discussões relevantes e se manter atualizado, levando esses conceitos para os sócios e diretores.

Benefícios da governança para empresas e sociedade

Adotar essas boas práticas de governança corporativa tem potencial de transformação não apenas para as empresas, mas para toda a sociedade. Por isso, uma das medidas principais é compreender o impacto interno e externo das ações e decisões tomadas pelos líderes.

Internamente, melhorar a gestão garante um melhor posicionamento de marca para as empresas, que traz uma valorização e novas oportunidades de negócio. Como vimos, os investidores globais colocam ESG como prioridade nos seus aportes, então desenvolver essa área é uma necessidade.

Além disso, o crescimento sustentável virou uma “obrigação” para as empresas que desejam ter longevidade no mercado. Ou seja, a única forma de lidar com esse apelo da sociedade por ações mais responsáveis é modernizando a sua gestão, aderindo a todos esses princípios.

Externamente, a governança corporativa gera mais transparência para as ações da empresa, que são estimuladas a cuidar das questões sociais e ambientais. Ao criar um relacionamento duradouro com os consumidores, a marca estará mais forte e preparada para todas as mudanças.

Por fim, é fundamental entender a responsabilidade social que todas as companhias desempenham. Mais do que bons resultados financeiros, elas devem gerar valor para a sociedade ao longo do tempo, com diversidade e inclusão, criando uma cultura organizacional mais compatível com os nossos tempos.

Adoção das melhores práticas na sua empresa

A governança corporativa deve ser trabalhada em empresas de qualquer porte. Nas grandes corporações, existem cargos de diretoria voltados para compliance e ESG, além de um conselho de administração específico. Nas pequenas, não existe essa grande estrutura, mas os próprios sócios ou fundadores precisam seguir essas práticas.

Um estudo em conjunto do Pacto Global das Nações Unidas e da Russell Reynolds Associates mostrou que os líderes de negócios sustentáveis têm características e habilidades semelhantes, que trazem uma nova mentalidade sobre a forma de conduzir os negócios.

Entre elas está a inovação disruptiva, que é a capacidade de criar desafios e adotar novos conhecimentos, e a inclusão dos grupos de interesse no processo, participando e influenciando nas decisões. A definição principal é que o lucro no curto prazo não é mais o caminho, mas a busca por fazer a diferença no longo prazo.

Assim, existe uma oportunidade para as companhias colocarem ESG como uma prioridade, com líderes mais responsáveis e concentrados em sustentabilidade. O processo passa por adotar esses pilares e princípios propostos pelo IBGC e criar sistemas para acompanhar e avaliar o seu impacto em toda a sociedade.

Tecnologia como aliada na governança das empresas

Como destacamos anteriormente, a governança tem três funções básicas, que formam um ciclo: avaliar, direcionar e monitorar. A última delas talvez seja a mais complexa, porque o fluxo de informações em grandes companhias requer um tratamento mais ágil, que só é possibilitado pelas soluções digitais.

Com o avanço da pauta ESG, os consumidores também desejam que as empresas tenham influência em toda a sua cadeia de valor, e não somente na sua atividade principal. Assim, os conselheiros precisam monitorar todo esse processo, a fim de mitigar os riscos envolvidos na gestão.

Isso explica os movimentos de grandes corporações para eliminar fornecedores que cometem irregularidades, como o desmatamento e as queimadas ilegais. Só que, para tomar essas decisões, é importante ter essa visão ampla da cadeia de suprimentos e de todas as atividades da empresa — diretas e indiretas.

Assim, o uso das ferramentas tecnológicas asseguram que os fornecedores estejam de acordo com o compliance socioambiental, desde as lideranças até as suas políticas. O resultado é um alinhamento entre as medidas adotadas internamente pela companhia e daqueles que estão no seu entorno.

Acima de tudo, desenvolver uma boa governança corporativa é uma necessidade para as empresas que desejam sobreviver no mercado. Com o crescimento da agenda ESG e a pressão da sociedade e dos investidores pela adoção das melhores práticas de gestão, ter essa estrutura interna alinhada é o caminho para valorizar e expandir a sua marca.
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