Seguro Rural: proteção frente aos riscos de atividades no campo

Provavelmente você já deve ter ouvido algumas frases como “o seguro morreu de velho” e “seguro é feito para não usar”. De fato, esse mecanismo é uma garantia para as tarefas do dia a dia e não há pretensão para acioná-lo. Só que algumas atividades são tão incertas que ter uma cobertura vira uma necessidade, como ocorre no seguro rural.

Chuvas, secas, altas temperaturas, geada, granizo… poderíamos citar uma lista com dezenas de riscos climáticos que produtores rurais enfrentam na sua rotina. Soma-se a isso riscos patrimoniais, variações de mercado e outras situações inesperadas que podem expor o produtor rural a prejuízos. O pior é que, por ser um empreendimento que leva meses para dar frutos (literalmente), qualquer imprevisto pode dificultar a permanência na atividade e até levar à falência.

“A agricultura é a arte de saber esperar. O seguro é a arte de tranquilizar a espera”.

“[Os eventos climáticos] interferem na receita do produtor, muitas vezes com a ruptura da produção, deixando-o fora do mercado”, destacou Manoel Oliveira, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), durante apresentação do Monitor do Seguro Rural em 2021. A série, realizada pelo Ministério da Agricultura (MAPA), é destinada a seguradoras, agricultores, pecuaristas e demais interessados na esteira do seguro rural.

Mais do que apenas um produto financeiro, o seguro rural tem um papel relevante na segurança alimentar do nosso planeta. Se a produção não vai bem e sofre com problemas, os resultados são vistos nas prateleiras dos supermercados e na dificuldade para encontrar alguns produtos.

Dessa forma, aumentar a cobertura securitária dos territórios é fundamental, e os dados mostram que estamos no caminho certo. Foram mais de 1 milhão de apólices subvencionadas pelo Governo Federal por meio do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 15 anos, além de uma constante expansão no número de hectares com algum tipo de cobertura.

Ao mesmo tempo, com o crescimento acelerado dos últimos anos, esse ainda é um mercado com muitas oportunidades de expansão. No Brasil, a área agrícola com algum tipo de seguro está em 20%, enquanto outros países passa dos 80%, como Espanha (uma grande referência em seguro rural) e Estados Unidos. Ou seja, há um grande potencial a ser explorado.

Por isso, o objetivo deste artigo é trazer as principais informações sobre o seguro rural no Brasil, com dados atualizados sobre o mercado. Mais do que isso, entender como as instituições financeiras podem compreender, da melhor forma, os riscos e oportunidades dentro das “porteiras” para atrair mais clientes e contribuir para o desenvolvimento do setor. Boa leitura!

Mercado do seguro rural no Brasil

Sem dúvida, os dados comprovam o crescimento do seguro rural nos últimos anos. Entre janeiro e junho de 2021, o faturamento com apólices de seguro agrícola chegou a R$2,06 bilhões, número 38% maior do que no período anterior, segundo a Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg). E a tendência de alta deve se confirmar nos próximos meses.

A perspectiva é que o ano de 2021 termine com crescimento de 40% no valor das apólices, sendo que a previsão inicial era repetir 2020 e crescer 30%. Existe uma expansão na contratação do seguro em algumas culturas, como o milho de inverno, que por ser mais suscetível a geadas, superou os R$445,1 milhões em prêmios — foram R$316,8 milhões em 2020.

Apesar desses números, o seguro rural não é um produto com ampla presença no país, o que também traz boas oportunidades. De acordo com o MAPA, o Brasil tem potencial para alcançar os 14 milhões de hectares cobertos em 2021. Porém, isso não chega a 20% da área total, ou seja, há uma enorme faixa de propriedades sem nenhuma cobertura.

Fonte: Ministério da Agricultura

Comparação com outros países

O Brasil é protagonista mundial no mercado de alimentos. Em 2020, nosso país liderou a produção e exportação de soja, café e açúcar, além de ser o maior exportador de carne bovina e frango do planeta, segundo a PwC. Porém, a contratação do seguro rural ainda tem bastante a crescer, se compararmos ao cenário em outros países.

Nos Estados Unidos, a área de lavoura coberta por algum tipo de seguro se aproxima de 90%, conforme dados apresentados pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). Outros números também impressionam: o orçamento anual do programa está na casa dos US$100 bilhões, com mais de 540 culturas participantes.

Na China, o crescimento do Seguro Rural também foi expressivo. Como mostra o Fundo Global para Redução do Risco de Desastres (GFDRR, em inglês), entre 2007 e 2018 a área de lavouras com algum tipo de cobertura subiu de 13,6 milhões de hectares (patamar atual do Brasil) para 166,23 milhões de hectares no final do período avaliado.

A subvenção governamental e o desenvolvimento de produtos modernos de seguro de propriedade rural (270 tipos diferentes) explicam esse aumento. Ao mesmo tempo, está em ampliação no Brasil o desenvolvimento da tecnologia e uma melhor percepção de riscos, um movimento que também contribui para os números.

Potencial de crescimento do setor

Se o seguro rural ainda não atinge grande parcela dos produtores rurais, mas exemplos internacionais mostram que é possível aumentar a cobertura, então podemos destacar o potencial de crescimento desse mercado pensando no futuro. Como vimos, os dados do PSR são promissores.

No Plano Safra 2021/2022, o orçamento para o PSR chegou a R$1 bilhão, contra os R$881 milhões do período anterior. O progresso da subvenção federal é importante porque o mercado lida com muitos riscos e as seguradoras não têm capacidade de arcar com todas as indenizações sozinhas.

Fonte: Ministério da Agricultura

Enquanto isso, a tecnologia tem capacidade de transformar esse mercado e garantir uma expansão do seguro. Um dos gargalos para oferecer um seguro mais qualificado é a dificuldade de compreender com exatidão os riscos envolvidos, o que acaba deixando o produto inclusive eventualmente mais caro como forma de garantia das seguradoras.

Porém, com o desenvolvimento de bancos de dados e informações mais confiáveis sobre o campo brasileiro, as análises são facilitadas e os riscos podem ser mitigados com maior precisão. Nesse sentido, as instituições financeiras conseguem trazer soluções mais próximas do que os empreendedores rurais necessitam.

Assim, a contínua expansão do PSR nos próximos anos, aliada ao desenvolvimento de ferramentas de digitalização, pode colocar o seguro rural em outro patamar. De fato, o crescimento desse mercado é benéfico para o país, pois aumenta a segurança alimentar e a geração de emprego e renda no agronegócio.

Preço do seguro rural

Um dos desafios encontrados pelas seguradoras é aumentar a adesão dos produtores, principalmente porque muitos consideram o seguro rural caro. Contudo, a realidade é um pouco diferente e, fazendo uma comparação com os automóveis, fica claro que não é bem assim.

Vamos aos números, disponibilizados pelo MAPA durante o Monitor do Seguro Rural, em 2021:

  • seguro total de carro 2012, que custa R$43.369,00 na Tabela FIPE: R$2.266,48 (5,22% de prêmio);
  • seguro de lavoura de milho safrinha sem subvenção, no valor de R$300.000,00: R$30.570,00 (10,19% de prêmio);
  • seguro de lavoura de milho safrinha com subvenção federal de 40%, no valor de R$300.00,00: R$18.342,00 (6,11% de prêmio).

Ou seja, com os valores da subvenção federal, o percentual dos prêmios fica muito próximo. Além disso, como alguns estados também concedem subvenção adicional — caso de São Paulo e Paraná —, os prêmios podem ficar ainda menores. Fora que, com 6,1% de prêmio, seriam necessários 16 anos de pagamento para chegar ao valor de uma safra segurada.

Fonte: Ministério da Agricultura

Importância desse mecanismo para o país

Engana-se quem pensa que o crescimento do seguro rural é importante apenas para o agronegócio e o mercado financeiro. Esse setor desempenha um papel fundamental na segurança alimentar do mundo, porque garante que os produtores tenham capacidade de seguir na atividade em caso de eventos adversos.

Recentemente, em julho de 2021, o campo sofreu três fortes ondas de frio, algo que não acontecia desde 1994. Em poucas semanas, o impacto foi sentido diretamente pelo consumidor nos supermercados: produtos de menor qualidade, mas com preços mais altos.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o preço das hortaliças e frutas foi diretamente impactado por esses eventos. O preço médio da batata chegou a subir 66% em determinadas regiões no mês de agosto — o que deixa as compras mais caras e empurra a inflação para o alto.

Algumas condições estão fora do controle dos produtores rurais, mas a situação se agrava quando eles não têm condições financeiras para realizar a próxima safra. É aqui que o seguro agrícola carrega seu protagonismo: garantir financeiramente esses empreendimentos e não deixar a oferta dos produtos ser completamente comprometida.

“Nos dois últimos anos, foram pagos pelas companhias de seguro R$4,6 bilhões em indenizações aos agricultores. Só a seca do RS no ano passado pagou mais de R$1,1 bilhão”, evidencia Pedro Loyola, diretor do Departamento de Gestão de Riscos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

“Isso mostra que o seguro funciona. O produtor indenizado fica sem dívidas e pode se manter na atividade com fluxo de caixa mais estável”, completa. Ou seja, em momentos de imprevisibilidade, o seguro faz a função que está no seu nome: ser um porto seguro para os produtores.

Mudanças climáticas no centro do debate

Ao mesmo tempo, há uma grande preocupação com as mudanças climáticas. Um relatório recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que o mundo pode alcançar um aquecimento de 1,5ºC, em comparação com os níveis pré-industriais, já nas próximas duas décadas.

Essas mudanças afetam diretamente o agronegócio, porque aumentam a probabilidade de eventos adversos e perdas na produção. Se, nos dias de hoje, as lavouras já sofrem com a dificuldade de controlar o clima, a acentuação das temperaturas pode ter um efeito devastador para o mercado.

As consequências são um cenário cada vez mais imprevisível, com maior intensidade de desastres naturais para as propriedades. Para os produtores, a cobertura financeira é fundamental, mas para as instituições financeiras se torna imperativo realizar uma administração mais rigorosa do seu portfólio, por meio da distribuição geográfica e temporal dos riscos.

Nesse caso, mais do que garantir cobertura para determinadas áreas, as seguradoras também desenvolvem mecanismos e utilizam soluções digitais para melhorar essa percepção. Assim, deixam o seguro mais atrativo para os produtores que estão em conformidade socioambiental e protegem a rentabilidade da sua carteira com maior conhecimento sobre o campo.

A transição para uma economia de baixo carbono é necessária e está no centro das discussões sobre o futuro do agronegócio, mas trazendo o assunto para o contexto desse mercado, oferecer algum tipo de seguro de propriedade rural se torna ainda mais importante para se proteger dessas incertezas.

Portanto, existe a necessidade de democratizar e expandir o acesso do seguro rural nos próximos anos, seguindo a tendência de alta na área coberta e no número de apólices. Desse modo, o Brasil deixa a possibilidade de déficit na alimentação mais distante e também garante emprego e renda para trabalhadores envolvidos no agronegócio.

Aplicação do seguro rural por tipos

Decerto, o mercado de seguro rural é bastante complexo e diverso. Se pensarmos na quantidade de alimentos do campo que chegam até os supermercados, podemos ter a dimensão dessa variedade. Portanto, os seguros também são desenvolvidos para atender às demandas de cada produtor.

Segundo o Guia do Seguro Rural, existem sete modalidades diferentes de seguro rural no Brasil. Não vamos entrar em detalhes sobre cada um — vale consultar o material para ter informações mais completas, mas entender alguns exemplos de como os seguros atendem aos produtores.

Seguro agrícola

É o tipo de seguro rural mais comum no mercado, destinado a cobrir perdas relacionadas à atividade agrícola. Em geral, protege as lavouras dos fenômenos climáticos, como excesso de chuva ou estiagem, mas também pode ser contratado para proteger contra quedas de produtividade ou no preço das culturas.

A soja é uma das principais commodities do Brasil e seu mercado exportador movimenta bilhões de dólares por ano. Com isso, há um impacto direto quando ocorrem perdas nas lavouras, como aconteceu em Sorriso (MT), no início de março de 2021. Foram chuvas que duraram dias e passaram dos 300mm, algo completamente fora do normal.

Os alagamentos dificultaram a colheita da soja e plantação do milho, além de danificarem as máquinas. Ou seja, se a produtividade mínima não foi alcançada, os produtores que contrataram o seguro rural foram indenizados. Pelo lado da seguradora, a ocorrência desses eventos aumenta a procura pelo produto, porque são esses momentos que relembram a importância da cobertura.

Atualmente, mais de 60 culturas fazem parte do seguro rural e têm produtos específicos. Não custa lembrar que cada região e cultura sofre com determinados riscos, mas com as mudanças climáticas mencionadas anteriormente, essa ferramenta ganha cada vez mais relevância no mercado.

Seguro pecuário

Você sabia que, nos últimos 10 anos, quase 3.000 cabeças de gado morreram por ocorrência de raios, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)? Quando não sobrevivem à descarga elétrica, naturalmente eles não podem ser mais aproveitados.

A situação pode piorar se esses produtores não tiverem um seguro pecuário, porque os prejuízos são graves e, muitas vezes, irremediáveis. Por outro lado, as seguradoras conseguem utilizar dados e imagens de satélite para analisar os riscos desses eventos em tempo real, o que deixa a subscrição mais assertiva para aquela atividade.

Além dos raios, existem outros riscos que precisam ser cobertos, como incêndios, acidentes e doenças não endêmicas. Com uma base de dados confiável e uma gestão mais proativa dos riscos, as seguradoras e resseguradoras têm uma percepção melhor dessas regiões e podem atuar com mais segurança.

Outros tipos de seguro

Além dos seguros agrícola e pecuário, os produtos mais comuns nas seguradoras, existem coberturas oferecidas em menor escala: Aquícola, Florestal, Penhor Rural, Produtos Agropecuários e até mesmo seguro de vida do produtor rural, que serve para liquidar dívidas relativas ao crédito rural em caso de morte ou invalidez.

Vale o destaque para o seguro de produtos agropecuários, porque eles funcionam de maneira parecida aos seguros tradicionais de bens. Da mesma forma que plantas e animais sofrem com problemas naturais, as máquinas demandam alto investimento dos produtores e o seguro protege contra roubos, danos e quebras, entre outros.

Tipos de cobertura, com casos reais

Dois tipos de cobertura são mais comuns no mercado: o Multirrisco e o de Riscos Nomeados. Ao mesmo tempo, o Seguro Paramétrico está em crescimento, principalmente pelo contexto das mudanças climáticas e aumento de temperatura em algumas regiões.

Por outro lado, os riscos excluídos são aqueles que não entram na apólice do seguro. As pragas conhecidas são um exemplo, já que elas ocorrem por problemas de manejo do produtor. Cabe à seguradora deixar bem claro o que está coberto no contrato e passar essa informação claramente ao segurado.

Seguros Multirriscos

Nesse tipo de contratação, diversos riscos climáticos estão cobertos. Ou seja, existe uma lista de eventos que, se ocorrerem, a seguradora faz o pagamento da indenização, como excesso de chuva, secas, ventos fortes e geadas. Fazendo uma comparação com o seguro de celular, seria o equivalente a ter cobertura para roubo, perda e quebra, por exemplo.

Em 2020, agricultores do Rio Grande do Sul sofreram com alguns fenômenos climáticos que comprometeram a produção de soja e milho. Primeiro foi a estiagem, com pouca chuva. Então, as altas temperaturas, associadas aos ventos fortes, trouxeram perdas de produtividade.

Segundo o MAPA, as indenizações passaram de R$1 bilhão na soma do seguro rural e do Proagro. Um produtor que investiu para colher 70 sacas por área, colheu apenas 10,5. Assim, o seguro foi fundamental para mitigar esses prejuízos, o que valoriza a importância dessa ferramenta.

Seguro de Riscos Nomeados

Nos Riscos Nomeados, o seguro cobre somente o que está descrito no contrato, ou seja, a contratação é feita por riscos específicos, porque determinadas culturas sofrem mais com algum tipo de evento climático. Nesse sentido, a seguradora tem um produto que atende a essa demanda dos produtores.

Na última safra, entre 2020 e 2021, houve uma perda de até 8% na produção de hortaliças e frutas em Santa Catarina por conta de geadas, conforme a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Em 29 de julho, o estado registrou -8,6ºC, a menor temperatura do ano no Brasil.

Espécies que são mais sensíveis ao frio, como tomates e pimentões, sofrem com problemas de produtividade quando ocorrem temperaturas mais extremas. Em geral, o tipo mais comum é a cobertura de granizo, com a possibilidade de contratar coberturas adicionais por geada e incêndio.

Seguro Paramétrico

É também conhecido como o Seguro de Índices Climáticos, sendo um produto personalizado entre a seguradora e o contratante. Ele considera as oscilações de parâmetros climáticos — o mais comum é a temperatura. Os índices são decididos em conjunto e consultados por base de dados meteorológicos

Se houver variação acima do combinado, ocorre a indenização. Trazendo para esse contexto de aquecimento global e mudanças climáticas, em que temperaturas recordes são mais frequentes — como em Corumbá (MS), que alcançou 48ºC, o Seguro Paramétrico ganha relevância.

Quem imaginava que alguns estados sofreriam com crise hídrica, como São Paulo e Paraná? Todas essas mudanças afetam diretamente o agronegócio, porque cada cultura tem sua especificidade e, com o clima cada vez mais imprevisível, a cobertura se torna fundamental. 

Além disso, um diferencial do Seguro Paramétrico é que, como ele segue índices climáticos sem a necessidade de ter uma perda efetiva na lavoura, seus custos operacionais são mais baixos. Não é necessário enviar um perito a campo, já que os índices estão disponíveis de forma remota.

PSR e a subvenção federal

É difícil comparar o seguro rural com outras modalidades de seguro, principalmente em virtude da existência dos fatores climáticos. As propriedades rurais são empresas a céu aberto, que estão expostas a diversos riscos. Um simples evento pode causar perdas consideráveis e minar a continuidade dos produtores na atividade.

Por outro lado, as seguradoras assumem grandes riscos quando oferecem um produto de seguro para o campo. Isto é, como o prêmio pago pelos produtores é somente uma parte do valor segurado e existe uma dificuldade de mensurar todas as variáveis envolvidas, a consequência é um seguro rural mais caro e menos atrativo.

Para resolver essa equação, o Governo Federal criou o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Em resumo, há um auxílio financeiro para quitar parte do prêmio pago pelo produtor, que vai diretamente para as seguradoras. Como consequência, a contratação da apólice fica mais acessível.

Ao mesmo tempo, as instituições financeiras também são beneficiadas, porque existe a possibilidade de expansão do seguro de propriedade rural no Brasil com novos produtores aderindo ao programa. Fora que, com a garantia de recebimento de parte do valor do prêmio, é possível desenvolver produtos mais personalizados.

“Mais do que um programa de apoio financeiro, o PSR fomenta o desenvolvimento desse mercado [de seguro rural]”, aponta Pedro Loyola, do MAPA.

Sendo assim, os principais objetivos do programa são:

  • expandir a contratação do seguro rural, com mais hectares segurados e apólices contratadas;
  • reduzir o valor do prêmio para os produtores;
  • impulsionar o uso de tecnologia adequada nas propriedades, com uma gestão mais profissional;
  • estabelecer o seguro rural como um dos instrumentos de estabilidade de renda para os trabalhadores do campo.

O PSR está disponível para as modalidades Agrícola, Pecuário, Florestas e Aquicultura, além do Seguro Paramétrico. Apesar de a subvenção ser direcionada ao produtor, cabe à seguradora remeter as apólices ao MAPA, que avalia a situação e decide pela concessão do benefício. Atualmente, existem 15 seguradoras habilitadas no programa.

Resultados do PSR

Desde a sua criação, em 2004, o PSR vem se expandindo no país. Mais especificamente, o programa cresceu consideravelmente em 2020, de acordo com o Relatório Geral divulgado pelo MAPA. O número de produtores atendidos aumentou 84% na comparação com 2019, ultrapassando a marca dos 100 mil.

Ademais, a área segurada alcançou os 13,67 milhões de hectares, batendo em 38% o recorde anterior, que era de 2014. O valor segurado, que é a soma da cobertura total de todas as apólices, foi de R$45 bilhões neste último, com 62 culturas atendidas e a marca de 1 milhão de apólices subvencionadas desde sua criação.

Também cresceu o número de seguradoras habilitadas para oferecer o seguro rural. Em 2006, quando o programa ainda estava no começo, eram 4 empresas participantes. Agora, esse número está em 15, o que é um fato positivo. Com a maior concorrência, há mais desenvolvimento e inovação no mercado.

De fato, o orçamento destinado para o programa foi de R$881 milhões e todos os pagamentos foram realizados no mesmo ano para as seguradoras. Com essa expansão do seguro rural nos últimos anos, naturalmente a carteira de clientes das instituições subiu em conjunto.

Mudanças para o próximo triênio (2022-2024)

As regras do PSR são decididas a cada três anos, incluindo os percentuais de subvenção e o orçamento destinado para o programa. Recentemente, o Plano Trienal do Seguro Rural (PTSR) foi divulgado para o período de 2022 a 2024, com mudanças voltadas para simplificar o mercado.

As principais mudanças foram nos percentuais e no limite máximo de subvenção permitida por CPF ou CNPJ. Agora, em vez de faixas que variavam entre 20% e 40%, todos os seguros terão percentual fixo de 40%, com algumas exceções que manterão o percentual de 20% — a soja é uma delas.

Além disso, o valor máximo de subvenção por grupo passou de R$48 mil para R$60 mil, com o limite anual máximo permanecendo em R$120 mil. Com essa atualização, há uma adequação nos valores com base no aumento dos preços de alguns produtos, que refletiram no aumento dos prêmios.

Essas mudanças serão válidas a partir de janeiro de 2022. Um efeito esperado é que, com a limitação de valores por grupo, produtores que tenham uma produção diversificada não precisem concentrar o seguro em apenas uma cultura, podendo realizar a contratação em diferentes setores agrícolas.

Novos limites máximos de subvenção

Com o novo PTSR, houve uma simplificação na subvenção oferecida pelo Governo Federal. A partir de 2022, essas serão as faixas disponíveis para cada grupo de atividades:

  • Grãos (soja): 20%;
  • Grãos (demais): 40%;
  • Frutas, Olerícolas, Café e Cana-de-açúcar: 40%;
  • Florestas: 40%;
  • Pecuária: 40%;
  • Aquicultura: 40%;
  • Seguro Paramétrico: 20%.

A subvenção é realizada diretamente no prêmio acertado entre a seguradora e o produtor. Por exemplo, uma lavoura de trigo, que é um grão de inverno, contrata um seguro de propriedade rural com valor de R$20 mil de prêmio. Com o PSR, o produtor pagará R$12 mil — os R$8 mil restantes serão pagos diretamente à seguradora pelo governo.

Outros tipos de subvenção

Além da subvenção federal, existem outros entes federativos que também oferecem subvenções para os produtores rurais. Ou seja, elas podem ser utilizadas em conjunto e deixam o seguro rural ainda mais atrativo, porque mantêm a cobertura inicial com uma contratação mais barata.

São Paulo

O Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, oferece uma subvenção de 32,5% do valor total do prêmio líquido. São dezenas de culturas agrícolas participantes do programa, além das modalidades Pecuário, Florestal e Aquícola. O limite é de R$15 mil por beneficiário.

Paraná

Também por meio da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, o Paraná tem uma subvenção de 20% para culturas agrícolas, pecuária e aquicultura. O limite é de R$4,4 mil por cultura ou espécie animal, não podendo ultrapassar os R$8,8 mil no ano civil.

Voltando para o exemplo anterior, se o produtor for de uma cidade de São Paulo, além da subvenção de 40%, ele terá um adicional de 32,5%. Assim, seu prêmio cairá para R$5,5 mil, ou seja, esse auxílio tem grande impacto financeiro no mercado.

Como aumentar a rentabilidade do seguro rural

Decerto, a digitalização do seguro rural tem potencial para expandir a atuação das seguradoras, dar mais segurança a todos envolvidos e trazer mais rentabilidade. Ao transformar as imagens e dados coletados em conhecimento prático, as soluções digitais permitem uma operação com segurança e agilidade para as instituições.

Seu maior impacto é na melhora da percepção dos riscos. Se você não tem acesso a nenhum sistema que processe as informações e faça uma análise mais precisa sobre cada operação, a consequência são produtos mais caros e com menos apelo para os produtores rurais.

Por outro lado, quando a seguradora está municiada com dados históricos e um monitoramento constante de cada propriedade, ela consegue oferecer apólices mais vantajosas a seus clientes. Ou seja, aumentam as oportunidades de venda e também a rentabilidade da empresa, já que o sistema é mais seguro.

“O acesso a dados confiáveis garante análises mais rápidas, com menos custos e menos erros no processo”, destaca Lívia Rocha, coordenadora de projetos de Insurance da Agrotools. De fato, quase diariamente os satélites passam pelas propriedades, levando imagens atualizadas para as seguradoras.

Além disso, a digitalização traz um novo recurso, que é acompanhar as apólices com maior efetividade. A instituição financeira pode ser mais proativa na gestão da sua carteira, porque consegue validar informações como, por exemplo, o ZARC e a data do plantio ou colheita, garantindo que seu cliente esteja em compliance socioambiental.

Por fim, a subvenção oferecida pelo PSR não é benéfica somente para os produtores, mas também para as seguradoras. Entre 2019 e 2020, o programa teve o seu orçamento de R$881 milhões completamente executado, com as seguradoras recebendo os valores dentro desse período.

Cabe à instituição submeter a apólice para o MAPA, que verifica as informações e libera os recursos disponíveis. Sem um sistema avançado, é virtualmente impossível expandir sua operação, que pode ficar suscetível a erros ou análises imprecisas de riscos, minando o crescimento da seguradora.

Sensoriamento remoto

A pandemia do coronavírus acelerou um processo que pode impulsionar a rentabilidade e a transparência  das seguradoras. Apenas para exemplificar um dos diversos processos a serem digitalizados, tradicionalmente, depois do aviso do sinistro, um perito é enviado para fazer a análise das perdas e dar prosseguimento ou não à indenização. Porém, essa atividade se tornou mais difícil com as limitações de circulação.

Assim, a solução encontrada foi utilizar as técnicas de sensoriamento remoto e análises multitemporais, que aproveitam as imagens de satélite para fazer a análise dos prejuízos nas propriedades. A tendência é que, nos próximos anos, as vistorias presenciais sejam substituídas gradativamente pelas remotas.

Ao mesmo tempo, a tecnologia também permite uma aprovação mais rápida do seguro rural. Quando o produtor faz a solicitação, essas técnicas informam se ele cumpre as diretrizes básicas e as exigências ambientais, além dos riscos envolvidos, o que permite a liberação da apólice sem a necessidade de se deslocar até a propriedade.

Digitalização do seguro pode trazer excelentes resultados

Nesse sentido, é altamente recomendado que seguradoras e resseguradoras tenham uma solução digital para fazer a gestão de risco e o monitoramento das operações de seguro rural. E, em vez de testar novas ferramentas ou levar anos para desenvolver uma tecnologia proprietária, podem aproveitar as soluções digitais existentes no mercado, como a Insurance, da Agrotools.

“A digitalização, aliada à expertise de uma equipe qualificada com 15 anos no mercado, traz inteligência de dados fundamental para aproveitar o crescimento do mercado e garantir mais rentabilidade nas operações. Esse é o objetivo de nossa solução Insurance”, enfatiza Priscila Franciele de Oliveira, executiva de soluções da Agrotools.

A ferramenta funciona como uma lente, que permite você enxergar melhor o que acontece no campo e, principalmente, dentro das propriedades rurais. Dessa maneira, a instituição é capaz de mitigar os riscos com segurança, baseando sua operação em dados confiáveis e com monitoramento constante de toda a esteira do seguro rural.

Porque, no momento em que você conhece e cria uma relação com o seu cliente, todo o processo é facilitado. E, se a sua instituição está preparada para todas as adversidades que pode enfrentar no caminho, também está pronta para aproveitar oportunidades e expandir a rentabilidade das suas operações.

Esses são alguns benefícios de utilizar uma solução para digitalizar a concessão e monitoramento do seguro rural:

  • prever e mitigar os riscos socioambientais, analisando se os territórios estão em conformidade;
  • validar o tipo de cultura, além de identificar a data de plantio e colheita;
  • fazer o monitoramento constante das propriedades;
  • realizar com facilidade a regulação  dos sinistros com o uso de nossa solução em aplicativo mobile;

Como se diferenciar no mercado

De fato, o mercado de seguro rural é bem complexo, mas existem formas de inovar e deixar a operação mais segura e rentável. O investimento em tecnologia, sem dúvida, é essencial, então fazer uma gestão completa e digital de toda a esteira do seguro traz resultados melhores.

Quando você realiza um monitoramento ativo da carteira, é possível detectar e até prever prejuízos nas propriedades com antecedência. Assim, a seguradora pode fazer uma organização melhor dos seus peritos para realizar as vistorias presenciais e reduzir deslocamento e custo dessas visitas, ou até excluir aquelas visitas desnecessárias, ou seja,  os riscos excluídos.

Outro diferencial é o investimento em banco de dados e conhecimento adquirido sobre o campo. Se você sabe o índice de produtividade daquela região nos últimos 15 anos, além de outros dados históricos importantes, como precipitação e temperatura, torna-se mais fácil mensurar os riscos.

Por outro lado, quando uma área de solo é revertida para outra cultura ser plantada (arroz para soja, por exemplo), é natural que a produtividade não seja a mesma de outra lavoura que planta soja há cinco anos. Porém, se você não tem essa informação da utilização histórica do solo, o risco de garantir uma cobertura descolada da realidade é maior.

Portanto, esse é um mercado extenso e promissor, tendo espaço para todas as seguradoras e até outras que desejam entrar nos próximos anos. A grande sacada é investir para ter melhor compreensão dos riscos envolvidos, operando com mais segurança em toda a esteira do seguro rural.

Decerto, o seguro rural é uma das ferramentas mais importantes para desenvolver o agronegócio no Brasil. Com todas as incertezas que envolvem essa atividade, é fundamental que o mercado siga crescendo nos próximos anos, o que traz oportunidades interessantes para as seguradoras expandirem a sua atuação e alcançarem maior rentabilidade.


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